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Demissões na BR Distribuidora: entre lágrimas e lucro

Artigo escrito por Wladimir Eustáquio Costa
Por Wladimir Eustáquio Costa
Criado em 24/01/2020, atualizado em 10/08/2020
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Posto de combustíveis

A privatização da Petrobras é um tema e uma face, mas nada justifica o tratamento que está sendo dispensado aos seus empregados. O clima de horror já soma centenas deles, com doenças autoimunes. Me recordo como a multinacional, que defendi por 31 anos, se comportou na mudança de política interna . Foi drástico, mas nada que se assemelhe aos relatos que tenho ouvido de empregados da PETROBRAS, sobre as demissões na BR Distribuidora. Muito triste… um processo criminoso!!! Empregados que se aposentariam em 2021 demitidos sumariamente! Depois de trabalharem una vida são descartados!

“De uma hora para outra, tudo se desfaz como um castelo de areia”, diz ex-funcionária em matéria publicada pelo Diário do Centro do Mundo.

Não bastasse o Programa de Demissão Optativa (PDO), que recebeu 1.181 inscrições, a Direção da BR Distribuidora, recentemente privatizada, já efetivou,  entre dezembro passado e janeiro, a demissão de mais de 600 empregados concursados.

Se o PDO possibilitou uma maior indenização financeira (75% de salário mensal por ano trabalhado) e extensão de alguns benefícios, como tempo determinado e plano de saúde, quem foi sumariamente demitido não terá qualquer beneficio.

“Desde 17 de dezembro estou sem plano de saúde, não tive direito nem a uma relocação na empresa através do Mobiliza. Entrei na BR Distribuidora através de concurso público em 2007, tendo sido antes uma trabalhadora terceirizada, convivendo com a rotina de demissão ao final dos contratos. Aí você faz um concurso, vai atrás de um sonho, conquista esse sonho… E agora? De uma hora para outra tudo se desfaz com um castelo de areia. Tenho três filhas, sendo duas crianças e uma adolescente, tendo a responsabilidade de ser arrimo de família (…). A principio você faz um concurso público numa empresa do sistema Petrobrás para não ter esse tipo de situação, e depois vê sua vida virar de ponta-cabeça ao ganhar uma rasteira após anos de dedicação”, conta uma ex-funcionária que prefere não ser identificada.

Gerentes predatórios

O atual presidente da empresa, Rafael Grisolia, determinou que cada gerente escolhesse quem poderia continuar na BR Distribuidora. Uma entrevistada revela que todo esse processo demissional mostra uma face perversa dos gerentes e como usam um sistema de proteção aos seus “amigos”.

“Até hoje, não sei o porquê da minha demissão, não tive ao longo da minha carreira na empresa qualquer tipo de advertência, meu GDR sempre atingiu os maiores índices. Um dia chega um gerente novo no seu setor e diz simplesmente que não conta comigo para nada, como se faz numa situação dessas após anos de trabalho? O pior é ver pessoas que não tinham comprometimento algum com a empresa que continuam lá, que critério é esse?” – indaga.

Dentre esses mais de 600 demitidos, existem vários trabalhadores que se aposentariam em 2021. Outra denúncia é de que os trabalhadores que não aderiram ao PDO e querem permanecer na empresa estão sendo pressionados a fazer acordo individual, com desvantagens que ultrapassam até mesmo os limites da Reforma Trabalhista.

Fonte: DCM

Wladimir Eustáquio é Diretor da Suporte Postos Consultoria e Assessoria Empresarial.
Contato: wladimir@suportepostos. com.br


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