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Revendedor

O fim dos frentistas: novos tempos

Artigo escrito por Ricardo Pires
Por Ricardo Pires
Criado em 19/12/2018, atualizado em 23/07/2020

Escrevo este texto com a certeza de que muitos revendedores irão discordar, outros apoiar, mas nada como um novo governo para realizar as mudanças necessárias. Me perdoe meu amigo e mestre Marcelo Borja, sei de sua opinião contrária, mas está chegando o fim dos frentistas em postos de combustíveis.

Recebi essa semana o convite da Feira da NACS no EUA, confesso que não gosto de ir. Me vejo naquele ambiente sempre como um peixe fora d’água, um empreendedor impotente com tecnologias que não são permitidas em meu país. Ah se eu pudesse comprar aquelas bombas self-services… como seria diferente.
Este sentimento nos mostra o quanto estamos atrasados, o quanto os últimos governos populistas nos privaram do futuro.

O Senado Federal está com uma consulta pública sobre a a instalação de bombas de autosserviços nos postos de abastecimento de combustíveis, além do Projeto de Lei nº519, de 2018, que causaria o fim dos frentistas em postos de combustíveis.

Vivemos novos tempos, a era da disruptura, empregos tradicionais estão virando peças de museu. Então por que o posto precisa de frentistas? Qual o sentido disso? O mundo inteiro já se adaptou, os países ricos não utilizam mais deste profissional para ajudar no atendimento.

Por que nós, que vivemos numa nação subdesenvolvida necessitamos? Que dificuldade é essa para realizar os serviços básicos? Nossa geração tem que se qualificar para algo muito maior, não num serviço que não é mais necessário a presença de um profissional. Preciso dessas respostas para entender o meu lugar no mercado.

Acredito que no novo governo iremos extinguir esta profissão do mercado e em 5 anos lembraremos como éramos limitados e acomodados, que não conseguíamos abastecer o próprio carro sem a ajuda de alguém. Esse profissional que nos ajudou tanto precisa se qualificar e estar preparado para novos desafios, não nessa função atual.

Vamos deixar nossas crenças de lado e pensar agora no óbvio, o governo Bolsonaro vem com uma política de suporte ao empreendedor, o Paulo Guedes tem esse discurso afiado. Os sindicatos dos trabalhadores perderam força com o fim da contribuição obrigatória, já não se sustentam com as próprias forças. A tecnologia vem exterminando empresas que não se adaptam, o posto com certeza está nessa lista.

Em meio à crise de desabastecimento de combustíveis, causada por bloqueios nas estradas pelos caminhoneiros, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) lançou, o estudo “Repensando o setor de combustíveis: medidas pró-concorrência”.

Entre as nove propostas para melhorar o mercado, a autarquia sugere:

– Permissão para que os produtores de álcool vendam diretamente aos postos.
– Fim da proibição de importação dos produtos pelas distribuidoras.
– Instalação de postos de autosserviços (fim dos frentistas).
– Revisão da forma de tributação.

A ANP está acabando de aprovar a venda direta do Etanol, as outras medidas em breve podem ser aprovadas também, inclusive a do autosserviço.

É tão óbvio que parece que não acreditamos, afinal cadê o ascensorista do elevador? O motorista de táxi teve que arrumar outro emprego ou virar Uber, assim como o trocador de ônibus. E o frentista? Acha que ele vai continuar? Seja sincero.

Está na hora de discutir quais adaptações serão necessárias para nossas bombas de combustíveis, lava-jatos, lojas de conveniência… nosso mercado mudou, a tecnologia chegou, temos que nos adaptar a essa ideia e acelerar esse processo de mudança. Se é uma tendência sem volta, por que não acelerar isso, por que não unir os sindicatos num propósito comum?

Vendemos um produto que não agrega valor em sua cadeia produtiva, a tendência lógica é de as margens abaixarem ao limite. Nosso negócio não é vender combustível, nosso negócio é imobiliário. Seu posto abastece por dia centenas de carros, as vezes milhares, num ponto super valorizado: crie outros atrativos para rentabilizar seu negócio.

Quantos inquilinos você tem em seu complexo de lojas? Quando os frentistas não forem mais necessários, seu posto deve ser um centro de compras com diversos segmentos, onde o cliente encontra tudo perto de casa, porque aquele atendimento com sorriso no rosto vai acabar. Cuidado para não dormir no ponto e perder o bonde.

Em 2019 o ClubPetro inicia investimentos para atender esse novo cenário, acreditamos que esse futuro tão longínquo irá chegar rapidamente.


14 respostas para “O fim dos frentistas: novos tempos”

  1. Avatar Marcelo Borja disse:

    Gostei do artigo, muito bom e com a qualidade e seriedade próprios do Club Petro, na minha opnião vocês são os melhores. Concordo em muitos pontos, se me permite discordar apenas do título: O fim dos frentistas : Novos Tempos

    -Vamos lá, vocês acreditam realmente que se o nosso modelo virar autoserviço os preços irão baixar? Duvido. O Posto continuará em guerra de preços pois é uma categoria movida pelo ego por muitos revendedores. Existem os que sabem fazer contas, mas são minoria;

    -Em vários países onde existem em conjunto o serviço atendido e o autoserviço , os postos que tem serviço atendido vendem mais. Por que será? Vamos lá, se forem latinos ou italianos , precisam falar, tocar, ouvir e a presença de alguém fazendo isso por você faz a diferença, parafraseando um conceito de uma empresa que não citarei o nome, existe algo chamado Humanologia, isso o auto serviço jamais conseguirá, e o consumidor adora essa tal humanologia.

    Mas gostaria de responder a frase abaixo , detalhando meu pensamento:

    “É tão óbvio que parece que não acreditamos, afinal cadê o ascensorista do elevador? O motorista de táxi teve que arrumar outro emprego ou virar Uber, assim como o trocador de ônibus. E o frentista? Acha que ele vai continuar? Seja sincero.”

    O ascensorista do elevador apertava um botão, só. Um frentista abastece, calibra pneus, lava vidros, checa água, óleo, fluído de freios, fluido de arrefecimento, fluído de direção hidráulica , troca de pneu de muito cliente que não sabe, dá informações as vezes melhor que Waze.

    O motorista do táxia está em alta novamente. Me desculpe, uso Uber no Brasil todo e nunca vi um serviço cair tão rápido de qualidade quanto os motoristas de aplicativo. Despreparados, não conhecem direção defensiva, já pegou Uber bêbado dirigindo.

    Trocador de onibus é um caso a parte. Conheço um que dá bom dia e sorri pra todos, e muita, mas muita gente diz que o dia fica melhor quando ele está de trabalho.

    “E o frentista, acha que ele vai continuar? Seja sincero.” Sim eu acho

    -A cultura de um país onde por formação do povo brasileiro , leia-se Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre, “O português teve de mudar…de trigo para a mandioca;”(pg 76) ou seja, somos um país onde nos adaptamos bem, desde que alguém faça o serviço para nós.

    -A verticalização ocorrerá no primeiro dia em que não existirem mais frentistas, ou você acha que BR, Ipiranga e Shell não irão operar Postos se não tiver que recrutar, selecionar, treinar, motivar pessoas. Mais fácil sob esse ponto de vista de acabar o revendedor do que o frentista.

    -Pode decretar o fim das gasolinas aditivadas. Acredita que se um cliente bastecer o próprio carro, irá por vontade própria colocar um produto até R$0,30 mais caro? Nunca… pode contar que sua margem irá baixar de um dia para o outro e muito.

    -Os programas de fidelidade terão uma acentuada perda de qualidade e clientes , quando o ser humano , treinado para oferecer uma promoção com um sorriso no rosto ou pontos acumulativos deixar de existir. Não se compare programas de fidelidade aérea que tem um público distinto, com pessoas do dia-a-dia que moram em Cabrobó ou Santa Rosa do Viterbo e abastecem em mais de 40.000 Postos no Brasil que tem dificuldades em entender “coisas automáticas”.

    Enfim, sigo em frente, torcendo para que as pessoas sejam valorizadas, o ser humano exaltado enquanto alguém que serve alguém e assim será exaltado por servir.

    “A mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil ao maior número de pessoas.”

    Michel de Montaigne

    • Avatar Edvaldo Filho disse:

      Esse texto traz aos revendedores uma reflexão. Não acredito que os postos passem a ser de Autosserviços, acredito que irão existir em alguns lugares. Porém ao ler o comentário do Marcelo Borja, acertadamente ele coloca muito bem as questões intrínsecas ao que refere-se ao Brasil. Mas acompanhemos atentamente aos novos dias. Nada é tão bom que não possa ser mudado ou adaptado.

    • Avatar João Carlos Ribeiro Jr. disse:

      Prezados Clube Petro e Marcelo Borja, bom dia!

      Primeiramente temos que valorizar ambas argumentações, muito bom vermos opiniões diferentes mas que seguem sempre o mesmo caminho e tem como ponto fundamental o sucesso.

      Humildemente como revendedor e conhecedor um pouquinho de nosso mercado, com certeza muito menos que os senhores, vejo uma mescla em ambos os textos e acho que como em tudo, o equilíbrio é o melhor sempre! São duas opiniões divergentes mas muito bem balizadas e fundamentadas e que continuem sempre, independente de qual lado mais o agrada, gerando aquilo que está mais em falta em nosso segmento, na minha opinião, mentes pensantes e amplas visões.

      Eu honestamente sonho com o dia em que poderemos ter um posto de auto serviço (self service), por todas as viabilidades citadas acima, mas principalmente pela máfia do que chamo “mercado trabalhista” onde já tivemos uma boa mudança com a nova reforma mais ainda insuficiente. Como um bom país que “gosta de ser servido” como muito bem citado pelo Marcelo, somos muito mais criativos em driblar o correto do que se adaptar a ele.

      Mas também concordo que se isto um dia acontecer, talvez eu não esteja mais aqui para acompanhar esta evolução mais do que necessária. Existem diversos outros fatores além do “servir” que envolvem um certo “temor” quando se quer dar um grande passo em nosso país e a segurança é uma delas.

      No mais não gostaria de gerar pontos e contrapontos, este comentário é apenas para agradecer este debate saudável e super importante e que em 2.019 tenhamos muito mais artigos como estes.

      Parabéns, sucesso e que tenhamos um ano muito melhor!

  2. Avatar Geraldo Soares de Oliveira Junior disse:

    Nada haver com o assunto, pergunto a alguém com experiência: como enfrentar concorrência com posto de rede sendo dono de um posto e bandeirado?

  3. Avatar Roberto Dotto disse:

    Entendo os diversos pontos de vista, mas a evolução é dinâmica, onde muitas profissões foram extintas e muitas outras serão. A questão frentista é mais uma e no futuro próximo existirão menos postos. Os veículos serão abastecidos na sua maioria em casa por eletricidade. Essas evoluções são inevitáveis e o bate papo com o frentista ficará na saudades.

  4. Avatar Paulo Diogo disse:

    Gostei do Artigo, e na minha opinião teremos clientes para todos os gostos isso vai depender de região para região e nada podemos dizer que não irá mudar sem realmente tentarmos.

    Como os bancos estão fazendo implantando caixas eletrônicos aplicativos e vários vários outros comércios que estão implantando o auto serviço acredito que com os postos de combustíveis não será diferente, teremos aqueles que irão preferir pagar mais e ter um atendimento diferenciado e teremos aquele que se sujeitará a usar o self-service.

    Mas o que mais me chamou a atenção na realidade foi realmente o comentário do nosso amigo Marcelo Borja, no que diz do ego e infelizmente dos revendedores que não fazem conta e que só querem destruir o concorrente e não fazem realmente a conta se o negócio é viável ou não.

    Por isso acredito que no futuro haverá um misto de operadores de postos ou seja:

    Aqueles que realmente tem um grande capital e serão as grandes redes que terão postos self-service a um preço menor e com uma maior galonagem.

    Aqueles que irão se profissionalizar em atender bem e terão atrativos diferenciados nas operações e com isso conseguirão uma margem maior e conseguirão sobreviver com uma situação mais equilibrada e talvez uma situação financeira

    E os outros que irão continuar fazendo a mesma coisa, com essa guerra de preços aonde irão cada vez mais dilapidando seus patrimônios e irão quebrar em breve ou venderão seu negócios a preço de banana para os outros dois tipos de revendedores acima.

    Outra coisa que não podemos nos esquecer que não sei se a muito longo prazo, mas acho que não, os carros elétricos estão chegando e aí a situação irá mudar mais ainda.

    Abraços a todos

  5. Avatar Vinicio avelino filho disse:

    Primeiro pensar pai familia perder seu emprego e anp esta precupado com problemas pode acarretar neio ambiente com pessoas despeparadas para abastecer seu proprio carro e dono postos vao repasar o valor mais barato este Brasil tudo vira piada se agui rasgam constituinte eles pobres deste Brasil vive com uma migalhas vergonlha

  6. Leandro Motteran Leandro Motteran disse:

    Fiz uma “conta de padeiro” aqui… sem contar os investimentos em equipamentos novos e readequação pra melhorar o fluxo do ppsto. Se o posto tem uma margem bruta média de R$0.50 por litro e sua despesa com pessoal abocanha metade de sua margem bruta, seria possível diminuir R$0.25 por litro. Sinceramente não acredito que o consumidor, de um modo geral, vá achar vantagem de reduzir só isso nas bombas e colocar mais de 500 mil frentistas na rua. E digo mais: o posteiro sairá mais uma vez como vilão nessa história.

  7. Avatar João P. De Rezende disse:

    Esqueceram dos supermercados dos Países ricos, onde dispensaram os caixas e você faz tudo sozinho, tudo isso influencia no preço final dos produtos, pois pelos mimos que requeremos, temos um custo, talvez nem todos estão dispostos a pagar por isso, na gasolina vai ser a mesma coisa, não vai ter mais aqueles motoristas que colocam $10 todo o dia, vai haver menos frequência nos postos, mas com a mesma venda, pois acabará aquele costume, sabendo que botar no tanque $100 dá o mesmo trabalho que $10, e como você comprar 200 gramas de arroz no supermercado todo dia ao invés de levar um pacote. O maior beneficiado será o consumidor pois fará economia com os preços menores na precificação, você mesmo vai calibrar seu pneu, não terá aquele frentista te puxando o saco, afinal, posto de gasolina não é ponto de encontro como no boteco do Zé. Seu bolso agradecerá.

  8. Avatar Francisco Vidígal disse:

    Concordo plenamente com o self service de combustíveis he uma tendência mundial

  9. Avatar Tatiana disse:

    Cada dia mas vejo que o ser humano pensa só em si mesmo . Cada um com sua opinião.
    O fim dos frentistas falam isso como se fosse o fim de algo que encomoda , o fim de algo ruim. Penso comigo se passa pela cabeça de cada que é o fim de empregos , vários frentistas sustenta a casa, mas imagino que todas as opiniões a favor do fim dos frentistas sejam de pessoas que não tem nenhum frentista na família.
    Mas e assim mesmo no dia que trocar a profissão de cada um por máquinas aí vamos ver qual será a opinião.
    Quando falamos da profissão do outro e fácil mas quando atinge a nossa a conversa muda.
    Uma boa noite a todos

  10. Avatar william disse:

    O Brasil precisa primeiro educar seu povo, alem do trabalho de atendimento ao usuário, o frentista recebe treinamento para itens básicos de segurança. o que o cliente fará quando um bico de abastecimento não travar e a gasolina escorrer, sera que nosso povo esta preparado para não estar fumando na hora do abastecimento, será que teremos crianças abastecendo os carros e os pais dentro dos veículos ocupados com celulares e outros. Antes de acabar com o frentistas temos um caminho muito longo infelizmente .

  11. Avatar Guilherme Barroso disse:

    No inicio dos anos 90 tinha um locadora de videos, tinha boa rentabilidade e um ótimo ponto na Tijuca no Rio de janeiro.
    Um dia vi cabos sendo passados no poste na frente da minha loja, curioso perguntei o que era e disseram ser Tv a Cabo.
    Acreditei que conseguiria remar contra a maré e ganhar no atendimento.
    Fechei em três meses!
    As pessoas não brigam com seu bolso e com sua comodidade!
    Os frentistas como conhecemos hoje estão condenados!
    A geração mais nova não pensa em carro da mesma forma que as anteriores, já é nativa em um tempo que a forma mais fácil de ir a um lugar é chamar um Uber.
    Carros híbridos e elétricos chegarão rápido porque não faz sentido as montadoras de automóveis produzirem carros a combustão somente aqui. As montadoras vão liderar o processo! E na medida que seu preço cair suas vendas vão disparar.
    Carros autônomos são uma realidade em alguns anos, a tecnologia já está madura e só falta o marco regulatório, onde eles abasteceriam e com qual combustível?
    Muitos postos irão fechar e os frentistas ficarão sem emprego de qualquer maneira.
    As distribuidoras não vão operar postos, parece negocio parecido mas distribuidoras são operadoras logísticas e varejo é um negocio e linguagem completamente diferente.
    Mestre Marcelo Borja o serviço só se torna relevante quando ele tem seu valor entendido pelo cliente!

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