Em decisão proferida em 19 de dezembro de 2025, a Justiça de São Paulo, tanto em suas esferas federal quanto estadual, negou os pedidos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para que as investigações das operações “Carbono Oculto” e “Quasar” fossem remetidas ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão mantém os inquéritos nas instâncias de origem, com destaque para a “Carbono Oculto”, que apura crimes financeiros e lavagem de dinheiro com envolvimento, inclusive, do setor de combustíveis, um tema de relevância para você, dono de posto.
As operações “Carbono Oculto” e “Quasar” investigam crimes financeiros e lavagem de dinheiro com sérias ramificações. A “Carbono Oculto”, que segue na Justiça estadual paulista, é particularmente relevante para o seu negócio, revendedor, pois investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal, com ligações em gestoras do mercado financeiro e no próprio setor de combustíveis. Já a “Quasar”, na Justiça Federal em São Paulo, foca em gestoras que atuam na blindagem patrimonial e lavagem de recursos para organizações criminosas.
A defesa de Daniel Vorcaro havia invocado uma decisão anterior do ministro Dias Toffoli, que concentrou no STF a “Operação Compliance Zero” e casos conexos, argumentando que eventuais ligações de Vorcaro ou do Banco Master com as investigações deveriam subir à corte superior. Contudo, os magistrados de primeira instância foram enfáticos: não foi encontrado, até o momento, vínculo direto entre o banqueiro, o Banco Master e os fatos apurados nas operações, tampouco a menção a autoridades com foro privilegiado que justificasse a competência do STF. A própria defesa, posteriormente, esclareceu que o objetivo era “apurar a procedência de notícias” que associavam indevidamente Vorcaro e o Banco Master às operações, e que as decisões judiciais, inclusive, confirmaram essa ausência de relação.
No âmbito da “Operação Quasar”, a Polícia Federal identificou diálogos de um investigado que mencionavam o Banco Master e Vorcaro. No entanto, o juiz considerou tais evidências como um “encontro fortuito” de provas, insuficientes para a remessa ao STF.
Essas investigações se inserem em um panorama mais amplo de escrutínio sobre o Banco Master e seu proprietário. O Banco Central (BC) já havia comunicado ao Ministério Público Federal indícios de um esquema de desvio de R$ 11,5 bilhões do Banco Master, envolvendo empréstimos fictícios e o uso de fundos. Além disso, irregularidades na venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) também foram apontadas pelo BC. Daniel Vorcaro chegou a ser detido em 18 de novembro de 2025, sob suspeita de fuga, sendo liberado 11 dias depois com tornozeleira eletrônica. Paralelamente, Vorcaro fez outro pedido ao ministro Toffoli, propondo uma mesa de conciliação para discutir a liquidação extrajudicial do Banco Master e a venda de seus ativos.
Com a decisão de manter as operações “Carbono Oculto” e “Quasar” nas instâncias de São Paulo, as investigações sobre crimes financeiros e lavagem de dinheiro, incluindo as ramificações no setor de combustíveis, prosseguem com autonomia em suas origens. Este cenário ressalta a importância da vigilância e do compliance para todos os atores do mercado, incluindo você, dono de posto, que opera em um setor por vezes suscetível a tais práticas. A continuidade das apurações pode trazer novos desdobramentos, enquanto a situação do Banco Master e a proposta de conciliação para sua liquidação seguem em uma frente paralela no STF, indicando um período de intenso monitoramento para o setor financeiro e para as conexões com a economia real.
