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Roubo de Petróleo e Combustível no Brasil: Prejuízos Bilionários e Desafios Contínuos ao Setor

  • 27/10/2025
  • 16:36
  • ClubPetro
Roubo de Petróleo e Combustível no Brasil
Fonte: Imagem CNN

O Brasil enfrenta uma crescente escalada no roubo e desvio clandestino de petróleo e combustíveis, um problema que causa prejuízos anuais bilionários e revela a atuação sofisticada de organizações criminosas. Com incidentes recentes e a aprovação de uma nova legislação para endurecer as penas, as autoridades e o setor buscam respostas para um cenário que afeta a economia, o meio ambiente e a segurança pública.

O cenário de roubo e desvio de petróleo e combustíveis no Brasil tem se mostrado alarmante, com perdas anuais estimadas em bilhões de reais e a participação cada vez mais complexa de grupos criminosos organizados. Nos últimos dez anos, foram registradas mais de 1.200 ocorrências de “derivação clandestina”, que consiste no furto direto dos 8,5 mil quilômetros de oleodutos da malha de transporte nacional.

Dados do Instituto Combustível Legal (ICL) apontam que roubos de cargas, furtos, fraudes em bombas, postos ilegais e diversas fraudes administrativas e fiscais, como a sonegação de impostos, somam um prejuízo anual de R$ 29 bilhões ao país. Desse total, R$ 15 bilhões são decorrentes de fraudes operacionais e R$ 14 bilhões de fraudes tributárias e fiscais. O crime organizado, incluindo facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), encontrou no setor de combustíveis uma lucrativa fonte para lavagem de dinheiro e financiamento de outras atividades ilícitas, com lucros estimados em R$ 61 bilhões apenas no mercado ilegal de combustíveis. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) complementa, indicando que as movimentações ilícitas em diversas áreas, incluindo combustíveis, já movimentaram R$ 350 bilhões em três anos.

A “trepanação” é a técnica mais comum utilizada nos dutos, envolvendo a perfuração da tubulação para desviar o produto. Essa prática, além de criminosa, gera riscos elevados de explosões e desastres ambientais, como evidenciado por um incidente em 2019 que resultou na morte de uma criança. Mais recentemente, em 23 e 24 de outubro de 2025, uma tentativa de furto em um oleoduto da Petrobras, na divisa entre Orlândia e Sales Oliveira, em São Paulo, provocou um vazamento significativo de gasolina, criando risco de explosão e contaminação ambiental. No Norte do país, o roubo de combustíveis de embarcações em hidrovias é a prática mais frequente.

A Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte, tem sido a principal vítima desses crimes, registrando 18 ocorrências de furto em 2025 até o momento. A maioria dos furtos em dutos concentra-se em São Paulo. Para combater esses desvios, a empresa investe em tecnologias de monitoramento avançado, equipes especializadas e um centro de controle dedicado. Esses esforços resultaram em uma queda de 52% no número de furtos em dutos entre 2022 e 2023, apesar da crescente profissionalização dos criminosos.

As forças de segurança têm intensificado suas ações. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em colaboração com o Ministério Público, realizou diversas operações em 2025, detendo líderes e integrantes de quadrilhas especializadas. Em 2 de julho de 2025, uma operação desarticulou um grupo reincidente, e em 30 de setembro do mesmo ano, outras ações focaram em desvios de petróleo e adulteração de óleos lubrificantes na Baixada Fluminense. Em fevereiro de 2025, a polícia identificou Vinicius Drumond, um bicheiro apontado como líder de um esquema de furto de petróleo, revelando a infiltração de contraventores nesse tipo de crime.

Em resposta à gravidade do problema, a legislação também busca se aprimorar. Em 13 de outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que endurece as penas para furto e roubo de combustível, prevendo prisão de até 16 anos. O projeto aguarda apreciação no Senado Federal. A cooperação entre diferentes esferas policiais e órgãos como a Receita Federal é crucial para desarticular os esquemas financeiros e de lavagem de dinheiro dessas facções.

Impacto para Revendedores e Donos de Postos de Combustíveis

Para você, proprietário ou gestor de posto de combustível, este cenário de crimes tem um impacto direto e devastador. O roubo e a adulteração de combustíveis, aliados à sonegação de impostos, criam uma concorrência desleal insustentável. Enquanto você cumpre rigorosamente as regulamentações e paga seus impostos, operações ilegais oferecem produtos com preços artificialmente baixos, atraindo consumidores desavisados e prejudicando sua margem de lucro.

Além disso, a existência de uma robusta rede criminosa eleva os custos de segurança e manutenção da infraestrutura de transporte, que, em última instância, podem ser repassados ao longo da cadeia. A venda de combustível adulterado danifica veículos, gerando desconfiança no mercado e impactando a reputação de todo o setor, incluindo a sua operação legítima. O não recolhimento de impostos afeta a arrecadação governamental, diminuindo a capacidade de investimento em serviços públicos essenciais, que nos afetam a todos.

A expectativa é que a atuação do crime organizado no roubo de combustíveis continue a se sofisticar, buscando novas formas de lavagem de dinheiro e diversificando suas operações. Diante disso, o combate a esses crimes exigirá uma atuação cada vez mais integrada e coordenada entre as forças policiais, órgãos de fiscalização e o setor privado. O uso intensivo de tecnologia para detecção e prevenção será fundamental.

A aprovação de legislações mais rigorosas, como o projeto em tramitação no Senado, é um passo importante, mas sua efetividade dependerá da capacidade de fiscalização e execução. Para você, revendedor, é fundamental manter-se informado sobre essas mudanças e garantir que sua operação esteja sempre alinhada às melhores práticas e à legislação vigente, contribuindo para a construção de um mercado mais justo e seguro.

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