2018 da revenda de combustíveis
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Retrospectiva 2018 da revenda de combustíveis

Artigo escrito por Ricardo Pires
Por Ricardo Pires
Criado em 31/12/2018, atualizado em 23/07/2020

O setor de combustíveis viveu um ano agitado. Período de grandes turbulências, greve, possíveis mudanças na regulamentação do mercado e aquisições que podem mudar o futuro do mercado de combustíveis nos próximos anos. No texto de hoje trago uma retrospectiva 2018 para a revenda, com os fatos mais importantes.

Os preços dos combustíveis dispararam em 2018, a política da Petrobras de acompanhar o mercado internacional de Petróleo trouxe um impacto negativo para a revenda. A cotação do Barril de Petróleo iniciou 2018 a U$67 e chegou em Outubro a U$87, o que somando a variação do dólar fez o mercado brasileiro ter a gasolina na bomba a R$5,50 o litro em alguns estados .

O governo ameaçava a revenda por menores preços, jogava a culpa como se fosse causada pelo empreendedor. O revendedor virou bandido para o político virar herói. A cotação do Brent no fim do ano fechou a U$53,03 e o preço dos combustíveis caíram fortemente nas bombas.

Essa grande variação no mercado em 2018, somado ao pedido de melhores condições de trabalho e benefícios levou à greve dos caminhoneiros, em maio. A categoria desligou seus motores, comprometendo os abastecimentos de combustíveis e, como consequência, diversos setores da economia foram afetados, como transporte público, itens básicos em supermercados, entre outros. Com greve, economia brasileira encolheu 3,34% em maio, a maior queda em 15 anos.

Em meio ao impacto das paralisações, o então CEO da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão do cargo, e o governo anunciou uma subvenção econômica à comercialização do combustível, mantendo as cotações do produto mais estáveis nas refinarias.

Já com o resultado das eleições presidenciais, a assessoria de imprensa do futuro ministro Paulo Guedes anunciou a indicação de Roberto Castello Branco como o novo presidente da Petrobras no futuro governo de Jair Bolsonaro. O futuro presidente já criticou os subsídios aos preços locais dos combustíveis, como é o caso do subsídio do diesel, um tema complexo, tanto político como econômico, uma vez que o desarme desse subsídio pode provocar reações indesejadas, haja visto o episódio da greve dos caminhoneiros.

Jair Bolsonaro fala também que não descarta a privatização da Petrobras e promete abrir à concorrência privada para baratear os preços.

Cade e ANP instituem Grupo de Trabalho para analisar mercado de combustíveis. Terá como objetivo analisar a estrutura do mercado de combustíveis, avaliar a implementação das medidas propostas pelo Cade para repensar o setor de combustíveis e a possibilidade de adoção permanente das medidas regulatórias excepcionais apresentadas pela ANP .
As propostas enviadas pelo CADE foram:

  • Permitir que distribuidora de gasolina ou refinaria tenha posto de gasolina.
  • Permitir que distribuidoras importem combustíveis.
  • Informar o nome do revendedor de combustível, quantos postos ele possui e suas outras marcas.
  • Aumentar a quantidade de informação sobre a comercialização de combustíveis.
  • Repensar a substituição tributária do ICMS.
  • Mudar a forma de cobrança de imposto do combustível.
  • Permitir postos com autoserviços.
  • Repensar as normas sobre o uso do espaço urbano.

A ANP concluiu que não existe impedimento para venda direta do etanol das usinas para postos. Segundo nota técnica da agência, não existem questões legais que travem a venda direta, desde que resolvida a questão tributária.
A decisão foi muito discutida já que os postos bandeira branca poderão comprar diretamente da Usina enquanto o posto bandeirado deve comprar da distribuidora, deixando-o ainda mais prejudicado em relação a condições comerciais de compra.

A medida só entrará em vigor, contudo, a partir da publicação pela ANP de uma resolução a respeito, o que só vai acontecer após decisão a ser tomada pelo Ministério da Fazenda sobre a arrecadação de impostos como PIS/Cofins e ICMS sobre o etanol, que hoje são arrecadados pelas distribuidoras.

O ano 2019 será marcado pela entrada de diversos players mundiais no mercado de combustíveis brasileiro:

  • A PetroChina, subsidiária da Companhia Nacional de Petróleo da China (CNPC), comprou 30% da TT Work, holding do grupo brasileiro Total com sede no Recife que ocupa o quinto lugar do País na distribuição de gasolina e o sexto em diesel.
  • Total Combustíveis agora se chama Petronac: a mudança faz parte da estratégia da expansão dos negócios da empresa, que em cinco anos espera estar presente em todos os estados brasileiros.
  • A Glencore, gigante de mineração suíça, negociou 78% da Alesat Distribuidora de Combustíveis. O negócio foi fechado por R$ 1,7 bilhão. O valor é menor do que os R$ 2,17 bilhões oferecidos pelo grupo Ultra, dono da Ipiranga, pela rede concorrente. Anunciado em junho de 2016, o negócio foi barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto de 2017.
  • Francesa Total compra Zema Petróleo, com 280 postos. O grupo de petróleo, que tem receita anual de US$ 140 bilhões e é avaliado em US$ 150 bilhões na Bolsa de Nova York, fechou a compra da Zema Petróleo, depois de muito namorar esse segmento no Brasil.
  • Holandesa Vitol compra 50% da distribuidora de combustíveis Rodoil. Depois de tentar sem sucesso a compra da Alesat, a Vitol fechou um acordo para compra de 50% da distribuidora regional Rodoil. A negociação marca a entrada da multinacional de origem holandesa no mercado brasileiro de distribuição de combustíveis.
  • A Rodoil anunciou a compra da Megapetro Petróleo Brasil, uma das principais distribuidoras de combustíveis do Rio Grande do Sul, em um negócio que deve aumentar seu número de postos em cerca de 30 por cento, para mais de 400 unidades de bandeira própria no Sul do país.


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