Os preços do etanol hidratado registraram elevação em 14 estados brasileiros na semana encerrada em 31 de janeiro de 2026, resultando em uma perda de competitividade significativa em relação à gasolina para os consumidores. Este cenário, impulsionado pelo reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e pelo período de entressafra da cana-de-açúcar, consolida a 13ª alta consecutiva do biocombustível, com o preço médio nacional atingindo R$ 4,63 por litro.
O início de 2026 tem sido marcado por um cenário de alta nos preços dos combustíveis no Brasil, com o etanol hidratado apresentando um aumento de 0,43% em seu valor médio nacional na última semana de janeiro. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilados pelo AE-Taxas, essa elevação representa a 13ª semana consecutiva de alta, levando o preço médio do biocombustível a R$ 4,63 por litro.
Essa escalada de preços é atribuída a uma combinação de fatores importantes. Um deles é o reajuste da alíquota do ICMS, que entrou em vigor em 1º de janeiro. Essa atualização tributária impactou a gasolina, elevando sua carga tributária média em 6,37% e, na prática, neutralizando uma redução de 5,2% no preço do combustível anunciada pela Petrobras para as distribuidoras no final de janeiro. O segundo fator preponderante é o período de entressafra da cana-de-açúcar, que naturalmente reduz a oferta de etanol no mercado, exercendo pressão sobre os preços.
Apesar da redução anunciada pela Petrobras, o impacto nos preços da gasolina nas bombas tem sido gradual. Dados da ValeCard e Edenred Ticket Log indicam que o preço médio nacional da gasolina alcançou R$ 6,483 e R$ 6,46, respectivamente, em janeiro. Esses valores representam avanços de 1,63% e 1,89% em comparação com dezembro de 2025. O repasse lento dessas reduções aos consumidores é explicado pelo giro dos estoques e pela complexa composição dos custos do combustível. Em São Paulo, por exemplo, o etanol subiu 0,90% na última semana de janeiro, chegando a R$ 4,46 por litro, enquanto a gasolina comum na capital paulista teve elevação de 1,2% no mesmo período.
A principal consequência dessa dinâmica é a notável perda de competitividade do etanol para o consumidor. A paridade média nacional entre etanol e gasolina atingiu 73,14% na semana encerrada em 31 de janeiro, marcando o patamar mais alto desde maio de 2023. O biocombustível manteve-se economicamente vantajoso em apenas um estado, Mato Grosso do Sul, onde a paridade foi de 69,67%. Especialistas do setor, no entanto, ressaltam que a decisão de abastecer com etanol pode ser benéfica mesmo com paridade acima dos 70%, dependendo do modelo e desempenho do veículo.
O que este cenário significa para você?
Para você, que atua diretamente no mercado de combustíveis, este panorama exige atenção estratégica. A pressão combinada da entressafra do etanol e dos ajustes tributários está resultando em elevações de preços que podem impactar diretamente a demanda em seu posto. Com uma oferta de etanol mais restrita no curto prazo, a tendência é que os preços se mantenham elevados.
Você, como gestor, enfrenta o desafio de repassar esses custos em um mercado altamente sensível a preços, enquanto as reduções da Petrobras para a gasolina demoram a se refletir integralmente nas bombas. Monitorar de perto os preços de compra e venda, bem como a paridade entre etanol e gasolina em sua região, é uma prática fundamental para oferecer a melhor opção ao seu cliente e garantir a saúde financeira do seu negócio.
Diante das recentes altas, a expectativa é que a acomodação dos preços da gasolina, impulsionada pela redução da Petrobras, ocorra de forma mais perceptível nas próximas semanas. No que tange ao etanol, as projeções para 2026 indicam um futuro promissor para a oferta. O Itaú BBA estima um crescimento de quase 6 bilhões de litros na produção total de etanol no Brasil na próxima safra, com contribuições significativas tanto do etanol de cana-de-açúcar quanto do etanol de milho. Além disso, a nova mistura de 30% de etanol anidro na gasolina deverá absorver um bilhão de litros adicionais anualmente, sinalizando uma demanda crescente pelo biocombustível a longo prazo.
Esse aumento projetado na oferta pode, futuramente, reverter a tendência atual de preços e restabelecer a competitividade do etanol ao longo do ano. Para você que busca se manter atualizado e tomar as melhores decisões estratégicas para seu posto, acompanhar de perto os desdobramentos do mercado e as políticas do setor será crucial. Mantenha-se informado e utilize ferramentas de gestão para otimizar a performance do seu negócio neste cenário dinâmico.
