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Biodiesel: falta de orientação pode gerar prejuízos ao Revendedor

Artigo escrito por Ricardo Pires
Por Ricardo Pires
Criado em 02/12/2020, atualizado em 02/12/2020

O Brasil possui um enorme potencial para a produção de combustíveis verdes, como o biodiesel e o etanol. Esses biocombustíveis colocam a frota nacional de veículos para rodar a um custo ambiental menor, mas nós revendedores de combustíveis estamos vendo que nem tudo são flores. 

Desde o ano passado recebo reclamações de revendedores de todo o país, com problemas em suas bombas de combustíveis, com relatos de falhas na sucção decorrentes de utilização de combustíveis que, em sua composição, podem conter material orgânico (de origem vegetal e animal), e em alguns casos, problemas com diesel de origem mineral. Forma-se uma borra nos blocos medidores, especialmente nas engrenagens, onde se acumulam estes resíduos, provocando falha ou a parada do sistema de sucção. 

Alguns fabricantes dessas unidades bombeadoras inclusive disponibilizaram um relatório técnico desse problema e dicas de manutenção preventiva, onde o revendedor pode, por meios próprios, tentar diminuir futuros prejuízos. 

Orientam as seguintes medidas:

  • Inspecionar e substituir periodicamente os elementos filtrantes do Filtro Prensa. (Nos meus postos troco os elementos filtrantes a cada 90m3 vendidos).
  • Caso as bombas apresentem lentidão, sugerem que o equipamento fique fora de operação e seja solicitada a visita técnica de uma equipe especializada para manutenção da bomba de combustível. 
  • Em caráter preventivo, verificar os componentes das bombas que mais são afetados, sendo:
  1. Rotor e engrenagem louca da unidade bombeadora.
  2. Filtro na entrada da unidade bombeadora.
  3. Válvulas de retenção e alívio (localizadas na parte superior do Bloco Medidor).
  4. Válvulas solenoides.
  5. Discos magnéticos e Válvulas distribuidoras (itens internos do Bloco Medidor).

Obs.: Cabe ressaltar acerca da vida útil dos componentes da bomba, pois esse funcionamento de forma irregular, levando em consideração frequência do problema relatado, poderá reduzir essa expectativa de vida e causar danos que levem à substituição por peças novas.

Ficou evidenciado que a causa do travamento das bombas está relacionada à redução excessiva da folga entre seus componentes, gerada pela impregnação de resíduos em suas superfícies. Portanto o Diesel é o causador do travamento das unidades bombeadoras e também da posterior queima de motores por sobrecarga.

Conheço redes de mais de 30 postos que em 1 ano tiveram problemas em 35 blocos medidores, mais de 1 por posto, mesmo realizando mensalmente manutenções preventivas. Vale lembrar que cada bloco medidor novo hoje chega a custar mais de R$5.000,00.

Mas por que isso ocorre? Por que com o aumento percentual do Biodiesel, tivemos que nos acostumar com esses problemas em nossos equipamentos?

Assim como ocorre com o óleo diesel, bactérias no biodiesel também podem se fazer presentes, mas com um agravante. Como o biodiesel possui menos enxofre em sua composição (o que é bom para o meio ambiente), o surgimento de água é maior, o que favorece o aparecimento de bactérias.

Vale destacar que a contaminação por bactérias é extremamente danosa, caso não eliminada. As bactérias no biodiesel são causadas pela presença de água no combustível. A água contribui para a formação da contaminação microbiana. É importante destacar que uma colônia de bactérias pode dobrar de tamanho em períodos curtos, como de 20 a 30 minutos.

A presença de água no biodiesel ocorre principalmente por causa da condensação, isso costuma ocorrer através do ar que entra no tanque. As variações de temperatura fazem que com que ocorra a condensação da água.

Mas isso pode ser controlado. Como a água é a causadora do surgimento de bactérias no biodiesel, o trabalho precisa ser focado justamente na redução da presença do líquido.

O pior de tudo, na minha opinião, é que parece que nós revendedores estamos nessa luta sozinhos. As distribuidoras não aparecem em público com alguma explicação, os fabricantes das bombas de combustíveis dizem que o problema é do combustível e apresenta relatórios, porém isentando-se de responsabilidades pecuniárias. Eu, pessoalmente conversei com Usinas de Biodiesel e eles dizem que nem sequer sabiam desses problemas, a Brasilcom também diz desconhecer isso. 

Sinto falta de cartilhas de manutenções e boas práticas para minimizar esses problemas, a culpa então é do revendedor que não está retirando a água do diesel? Mas apelar para quem mais? Existem outras orientações que devemos seguir?

Alguns sindicatos até chegaram a enviar um ofício à ANP, mas isso foi em 2019 e depois não se falou, também não vi nenhuma cartilha e nem um debate entre todas as partes da cadeia de combustíveis no sentido de ajudar os revendedores de verdade.

Além de dizer que o produto esta “dentro das especificações”, qual a posição da ANP sobre o tema? É preciso destacar que o volume da adição do Biodiesel, aprovado pela ANP, é hoje 12%, mas em 2023 será de 15% no diesel vendido ao consumidor final.    

E o revendedor? Vai continuar pagando essa conta sozinho? Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém orienta, ninguém ajuda e o prejuízo chega. O revendedor busca o culpado mas ninguém assume nada e ele paga a conta, sempre sobra para ele.

O Biodiesel está começando a ganhar um exército de detratores, os próprios revendedores, que antes eram aliados, hoje contabilizam os prejuízos. Vale lembrar que grande parte das falhas dos equipamentos estão concentradas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, as duas regiões juntas já representam cerca de 65% dos problemas.

Pensando nisso, nesses problemas e a falta de solução, o ClubPetro buscou alguns especialistas do setor e que vivenciam esses problemas no dia a dia para participarem do nosso Aulão, hoje, quarta-feira, 02/12 às 20h.

Vamos debater o assunto, seria interessante se outras partes tivessem interesse em participar, como as distribuidoras e usinas, mas disseram desconhecer o problema. Na verdade, creio a cada dia que desconhecem de verdade a rotina do revendedor e suas dificuldades. 


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