A Petrobras acumulou uma redução de 16,4% no valor da gasolina nas refinarias desde o final de 2022, diminuindo de R$ 3,08 para R$ 2,57 por litro, totalizando uma queda de R$ 0,51. Ao longo de três anos, foram 11 ajustes, sendo a mais recente uma redução de R$ 0,14 (equivalente a 5,17%) anunciada na última semana de janeiro de 2026. Em contraste direto, o preço médio da gasolina para o consumidor final saltou de R$ 4,98 para R$ 6,33 por litro no mesmo período, um aumento de 27,1%, conforme a ANP.
Para ilustrar o impacto, abastecer um tanque de 50 litros tornou-se, em média, R$ 67,50 mais caro, e em algumas regiões, como Barueri e Guarujá, em São Paulo, o litro chegou a impressionantes R$ 9,29. Esses dados evidenciam a complexidade da formação de preços no Brasil e a desconexão entre o preço de refinaria e o praticado nas bombas.
Múltiplos Fatores para a Elevação: Tributos e Etanol
Especialistas e representantes do setor identificam uma série de fatores que contribuem para essa disparidade. A carga tributária é um dos elementos mais impactantes: o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aumentou em R$ 0,10 por litro, e o fim da isenção de PIS/Cofins em fevereiro de 2023 adicionou R$ 0,47 ao preço final do combustível. Além disso, a valorização do etanol, que compõe parte obrigatória da mistura da gasolina, exerce pressão altista sobre os custos do combustível.
A Cadeia de Distribuição e o Retorno da Petrobras
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribui parte da dificuldade em repassar as reduções ao consumidor à privatização da BR Distribuidora (atual Vibra Energia) em 2019. Segundo ela, a venda da subsidiária interrompeu a atuação da estatal em toda a cadeia de combustíveis, “do poço ao posto”. Contudo, a Petrobras anunciou em agosto de 2025 sua intenção de retomar a atuação no segmento de distribuição, um movimento que poderá reconfigurar a dinâmica do mercado.
As margens de distribuição e revenda, que representam 19,6% do preço final, juntamente com custos logísticos, operacionais e a dinâmica regional, também são citadas como barreiras para que as reduções da refinaria cheguem integralmente ao consumidor final.
Entendendo a Composição do Preço Final
Para você, que gerencia um posto de combustível a composição do preço final nas bombas é um mosaico complexo: a parcela da Petrobras corresponde a aproximadamente 28,4% (ou até 29,9% em algumas análises), enquanto a mistura com etanol anidro equivale a 16,4%. Os impostos federais somam 10,7%, e os estaduais (ICMS) representam a maior fatia tributária, com 24,8%. As margens de distribuição e revenda perfazem os 19,6% restantes. Entidades de revendedores, por sua vez, refutam serem os únicos responsáveis pela alta, destacando a elevada carga tributária e a concorrência desleal de postos irregulares que não recolhem impostos.
Para o seu negócio, isso significa que, apesar de operar no front-end do consumidor e sentir a pressão do público, grande parte do preço que você cobra é composta por fatores externos e pouco controláveis diretamente por você. E isso tem que ser reafirmado na pista para que o seu cliente não conclua que você é o grande culpado.
Próximos Passos para o Setor
A atual conjuntura do mercado de combustíveis exige uma compreensão aprofundada da estrutura de custos e das forças que o movem. A complexidade dos fatores envolvidos – desde a carga tributária e a cotação do etanol até as margens da cadeia de distribuição – sugere que o debate sobre o preço dos combustíveis está longe de terminar.
Os próximos passos incluem a observação atenta da retomada da Petrobras no segmento de distribuição, que pode impactar a dinâmica competitiva, e a continuidade das discussões sobre a política tributária para o setor, com possíveis debates sobre desonerações ou simplificações.
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