Em 20 de fevereiro de 2026, a Raízen, uma das maiores empresas de energia e distribuição de combustíveis, anunciou um plano inicial de capitalização e reestruturação de seu passivo. A medida visa aliviar a tensão com credores internacionais e afastar o risco de um pedido de recuperação judicial, um cenário que havia sido amplificado por incertezas sobre injeção de capital e rebaixamento de sua nota de crédito. Essa estratégia busca reacender a confiança do mercado na companhia, fundamental para a estabilidade do setor.
A elaboração deste plano trouxe um alívio significativo para a percepção de risco da Raízen. Anteriormente, os títulos de dívida da companhia negociados no exterior operavam com uma perspectiva de recuperação de apenas 30% de seu valor de face. Essa baixa refletia a preocupação com a capitalização prometida pelas controladoras Cosan e Shell, a ausência de notícias sobre vendas de ativos e o rebaixamento da nota de crédito pela Moody’s para CCC, um patamar considerado de alto risco. Com as novas informações sobre o plano, a expectativa de recuperação dos créditos pode chegar a 70%.
As discussões incluem uma capitalização que pode variar entre “pouco mais de R$ 8 bilhões” e “mais de R$ 30 bilhões”, além de propostas de cisão da empresa em dois negócios distintos e a conversão de até 25% das dívidas em ações. Esses movimentos são cruciais para endereçar a alta alavancagem da Raízen, que reportou uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões e uma alavancagem de 5,3 vezes o Ebitda ajustado no último trimestre, período em que também registrou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões. A gestão da Raízen, contudo, esclareceu que não há vencimentos de dívida próximos e que o rebaixamento da nota de crédito não acionará pagamentos antecipados.
As controladoras Cosan e Shell, que detêm 44% do capital da Raízen cada, apresentaram propostas distintas. A Shell sugere um aporte de R$ 3,5 bilhões em uma capitalização total de R$ 5 bilhões, sem a cisão da empresa em um primeiro momento. Já a Cosan, com o suporte do BTG Pactual, propõe um pacote mais amplo de capitalização e uma reorganização societária em diversas etapas, que inclui a conversão de dívida e um possível re-IPO da Raízen Combustíveis. A complexidade dessas negociações é evidenciada pela contratação de diversos assessores, com a Raízen contando com a Rothschild & Co, Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, enquanto os credores são representados pela Moelis e pelo escritório White & Case.
Para você, dono de posto, a estabilização da Raízen é uma notícia importante. Sendo uma das maiores distribuidoras do país, a saúde financeira da empresa influencia diretamente a cadeia de suprimentos e as políticas comerciais do setor. Uma Raízen mais sólida significa maior previsibilidade no fornecimento de combustíveis e, potencialmente, condições de mercado mais estáveis para o seu negócio. A resolução desta situação pode permitir que a empresa retome investimentos estratégicos, como em etanol de segunda geração (E2G) e descarbonização, que, a longo prazo, também impactam a dinâmica do setor.
Mesmo com os desafios, Cosan e Shell reafirmaram o compromisso de injetar capital para readequar a estrutura de capital da Raízen, visando reduzir a dívida a um patamar sustentável. O mercado agora acompanha de perto a materialização dessas estratégias de desalavancagem e capitalização, que serão cruciais para a recuperação plena da confiança dos investidores em 2026. A efetivação do plano poderá não apenas revalorizar os títulos de dívida e ações da empresa, mas também definir os próximos passos de sua reorganização operacional, incluindo cortes de investimentos (cerca de R$ 3 bilhões para este ano-safra) e a venda de ativos, como a refinaria na Argentina. Estaremos atentos aos desdobramentos para mantê-lo sempre bem informado sobre o futuro do setor.
