contribuição sindical
Revendedor

O revendedor virou o bandido para o político virar o heroi

Artigo escrito por Ricardo Pires
Por Ricardo Pires
Criado em 12/02/2018, atualizado em 24/07/2020

A orientação da nova política de preços da Petrobrás junto aos desmandos inconsequentes do Presidente Temer e do ministro Moreira Franco trouxe à tona uma referência estranha: agora o revendedor virou o bandido.

Sim, a corda arrebentou no lado mais fraco da história e o revendedor, que recebe quase que a totalidade do preço como pronto, está sendo obrigado a pagar essa conta, pois o governo jogou a pedra, mas escondeu a mão.

Mas qual o motivo de embutir tantos impostos sobre o combustível? Estamos falando de um bem essencial para a sociedade, onde o governo acredita que, ao aumentar seus impostos o efeito sobre a queda no consumo será pequeno, e assim prejudicando menos a estrutura produtiva e arrecadando mais para os cofres públicos.

Acontece que essa prática é o mesmo que tentar tirar a pena do ganso sem fazer ele sentir dor, e nesse caso, a dor recai sobre o revendedor que agora precisa prestar conta para a sociedade diariamente.

Deixamos de ser comerciantes, de ir à pista: o sentimento é que estamos fugindo do nosso cliente. É essa a situação que diversos revendedores estão vivendo, afinal ser obrigado a responder diversos questionamentos sobre preços abusivos é muito desagradável. Não entendem que somos a ponta do iceberg, nossa margem esta cada dia menor e o nosso compromisso muito maior.

O revendedor assume um aumento atrás do outro sem mexer no preço de bomba, diminui sua margem e consequentemente a lucratividade de seu negócio, Muitas vezes, o ramo de combustível deixa de ser um negócio viável.

Todos estão chegando ao limite para honrar com seus compromissos. Enquanto isso os impostos são mais que abusivos, passando de 50% do preço de venda. A palavra cartel virou moda, está na boca do povo, do governo, dos jornais e agora, pasmem, do presidente e ministros.

A prática de cartel é uma denúncia gravíssima para qualquer negócio, ainda mais quando é o presidente ou um ministro quem a faz. Olhar para qualquer posto e dizer que o mesmo funciona sobre a batuta de um cartel é fácil, mas nós que convivemos diariamente com o setor em todo o país fazemos outra análise: o revendedor está com margens tão apertadas que o preço está se balizando por baixo, com o mínimo de rentabilidade, e isso equaliza os preços num patamar muito perigoso para o mesmo.

Acusar alguém ou alguma empresa de cartel e, principalmente generalizar isso para todo o setor é uma irresponsabilidade, demonstra falta de conhecimento e respeito desse importante ramo para economia brasileira.

O nosso então Presidente da Republica querendo aumentar sua pífia popularidade diz que a culpa dos preços altos são dos postos, que é formação de cartel, que irá colocar a Polícia Federal e o CADE para nos fiscalizar. Seria mais simples se o problema fosse como o presidente fantasia, se fossem os postos os culpados e não os impostos.

Na quinta feira, 08 de fevereiro, o Jornal Nacional divulgou a noticia de queda de 3% na gasolina e a matéria dá a impressão que o percentual de desconto será sobre o preço de bomba. É bom esclarecer que o aumento ou a diminuição do preço do petróleo não tem relação direta com o preço praticado na bomba. Entre a refinaria e o consumidor final existem, por exemplo, no caso da gasolina, o etanol anidro e os impostos que influenciam na composição do preço final. Em porcentagem aproximada, o peso da gasolina sem etanol sobre o preço final do combustível é de 30%. Assim, se, hipoteticamente, o litro da gasolina tem o preço ao consumidor de R$ 4,00 e a Petrobrás oferece um desconto de 5% sobre o seu produto, esse desconto, se passado integralmente para o consumidor, será de 5% sobre R$ 1,20 (30% do preço final, que é o componente da gasolina pura neste preço final de R$ 4,00). O desconto será de R$ 0,06 e não de R$ 0,20, como alguns podem interpretar.

Em meus postos a queda foi de R$0,04 no dia 08 de fevereiro, tão pequena que ficamos receosos de na próxima semana o valor já subir mais do que a queda recente. Infelizmente o cliente não entende e parte para agressão verbal aos frentistas e revendedores, viramos os bandidos da história. É muito mais fácil culpar 40.000 revendedores do que abaixar os impostos ou até mesmo, como um gesto peculiar à pessoas de caráter, assumir a responsabilidade pela situação.

Dizem que o heroi é medido pelo bandido. Ccolocar a PolíciaFederal e o CADE no encalço dos revendedores vai gerar um resultado que já sabemos: os revendedores do país são, em sua maioria, pessoas e empresas sérias e idôneas, que vivem hoje dificuldades sem precedentes desse mercado. Agora, infelizmente, não podemos dizer o mesmo sobre nossa classe política!

Ouvi o relato de um grande revendedor em MG, muito bem relacionado entre nós revendedores, que o seu negócio virou um inferno. Não pode sequer acompanhar o dia a dia de seus frentistas como faz há mais de 30 anos e isso está gerando um mal estar e sua rotina agora é de tentar provar que não está lesando o seu cliente. Que país é esse? A que ponto chegamos?

Não podemos nem mais ser comerciantes, temos que nos esconder de nossos clientes. Está na hora de nos unirmos e mostrar a população quem realmente está criando o problema, isso precisa de uma basta!


8 respostas para “O revendedor virou o bandido para o político virar o heroi”

  1. Avatar Maurício Lúcio Mapa disse:

    Com a palavra o MINASPETRO e a FECOMBUSTÍVEIS???

  2. Avatar Leonardo Barrrtta disse:

    Perfeito Ricardo!

    A PF deveria estar investigando (num ritmo acelerado) os mais de 150 postos que o PCC tem no estado de (segundo Fecombustiveis). O governo deveria cobrar da Receita mais fiscalização sobre os devedores contumazes e lavadores de dinheiro. E ao invés de perdoar as dívidas bilionárias de seus aliados políticos, cobra-las!

    A realidade do meu posto é semelhante a descrita: somos acusados de cartela corriqueiramente. Tenho que explicar para cada consumidor desinformado (e são a maioria) de quem é a culpa. Está chato ser revendedor hoje. Por fim, vemos as distribuidoras virarem as costas para nós. E o lobby chamado Sincopetro, agora apelidado de Plural, que impede investigações sobre as 3 distribuidoras que oligopolizam este mercado no Brasil.

    O cartel é dos postos? Mas ninguém investiga porque ao longo de toda cadeia, os preços de BR, Ipiranga e Shell chegam aos seus revendedores praticamente iguais!!

    Ricardo, apoio movimentos por mais transparência e conscientização da população sobre a realidade da revenda hoje em dia. Façamos evoluir esse Basta!

  3. Avatar Guilherme disse:

    Se existir cartel é o das Distribuidoras. Vendem nos preços que querem.

  4. Avatar Fabio Rodrigues disse:

    Texto excelente e verdadeiro.

  5. Avatar LUANA disse:

    EXCELENTE TEXTO!
    CONCEITUA DEMASIADAMENTE A ATUAL REALIDADE DOS REVENDEDORES!

  6. Avatar UBIRAJARA disse:

    Só temos uma saída para continuar os nossos negócios…..(REDUÇÃO DE CUSTOS) INICIANDO PELO QUE O GOVERNO MAIS TEME, O DESEMPREGO……vamos trabalhar no sentido de transformar os POSTOS em AUTO ATENDIMENTO diminuindo assim uns dos custos mais elevados que é a MÃO DE OBRA…….tornar -se auto sustentável como ENERGIA SOLAR….. por exemplo, e a tantas outras alternativas,. Afinal quem é que paga nossas contas, nossos impostos que por sinal são exorbitantes.
    Vamos seguir o exemplo dos BANCOS(caixas automáticos), SUPERMERCADOS( o cliente se auto atende), colocar CONVENIENCIAS com (auto atendimentos), cortar serviços que hoje são atribuídos a borracharias(calibragens de pneus), duchas gratuitas etc…..dar prioridade a QUALIDADE AOS PRODUTOS COMERCIALIZADOS, COMBATES AS FRAUDES DE QUALIDADES….. E SONEGAÇÕES DE IMPOSTOS. REPENSAR E EXTINGUIR SINDICATOS QUE SÓ BUSCAM E NÃO NOS AUXILIAM EM NADA.

  7. Avatar tavares disse:

    valeu ricardo pelo prendizado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ao se cadastrar você aceita receber os conteúdos do ClubPetro e compreende que pode se descadastrar a qualquer momento.

Posto de combustíveis