Li, com grande desapontamento, uma importante nota do Sindicato patronal esclarecendo sobre a  necessidade da escolta de caminhões tanque para postos de combustíveis neste período da greve dos caminhoneiros.

Desapontamento não pela nota, que por sinal é muito útil, mas por confirmar que chegamos ao fim da linha, a um ponto de tamanhas incertezas e começo a refletir sobre a situação que estamos vivendo.
Na outra ponta, vejo todos os holofotes voltados aos revendedores e distribuidores, basta ligar a televisão e podemos confirmar que viramos a bola da vez. Filas enormes, consumidores insatisfeitos, muita confusão e ainda muita escassez.

Até o final da semana passada poderia escrever um texto semelhante a esse, mas confirmando meu ponto de vista de que “somos todos caminhoneiros”, mas muita coisa mudou de lá para cá.
Nada contra os caminhoneiros, esses nobres trabalhadores provaram mais uma vez que representam a força motriz da nossa economia e a maioria da sociedade brasileira enxergou no movimento uma possibilidade real de uma mudança política e econômica do nosso país.

O tempo passou e muita coisa não aconteceu como esperávamos, uma liderança difusa e confusa, solicitações e pautas diversas, infiltração de movimentos e oportunistas, de tudo ocorreu um pouco e nossa esperança acabou por depreciar.

Não vou me ater ao movimento, já estamos sendo bombardeados por isso o tempo todo em todas as mídias, mas sim nos reflexos sobre os revendedores. Faço uma pergunta simples: por qual motivo a revenda desse país estaria disposta a correr riscos, aumentar custos, serem bombardeadas por todos os lados para abastecer seus postos com pouco combustível e que vai durar por no máximo um dia?

Não vejo outra resposta a não ser um retorno para a sociedade. Veja bem, preços de hortifrutigranjeiros explodiram, há escassez de produtos nos mercados, escolas particulares e públicas paralisaram suas atividades. A sociedade está carente e cada vez se esforça mais esforços para ter acesso a itens básicos, inclusive acabando por demandar mais combustível.

Os revendedores que fazem essa entrega ao mesmo preço estão cumprindo sim um importante papel social, mesmo quando boa parte das críticas se voltam contra eles. O governo quer socializar o custo nebuloso de um acordo para a sociedade, o movimento está perdendo força e identidade com o desgaste de seus representantes legítimos, a sociedade está cada vez mais necessitada e carente de tudo e o revendedor é quem absorve todos esses lamentos e revoltas na boca da bomba.

Me levanto e resolvo contribuir com minha opinião: SOMOS TODOS REVENDEDORES! Que nós, em um esforço conjunto com nossos colaboradores, continuemos por fazer mais do que nossas obrigações, por muitas vezes sem considerarmos custos e esforços, por nos sujeitarmos a pedradas e armas apontadas no transporte do combustível, por percebermos que nada nesse país vai mudar além da queda do preço do diesel, provisoriamente.

Pela luta diária para sobrevivermos e, por momentos como esse, que fazemos com a certeza de que não seremos reconhecidos. Pelo contrário, seremos ainda considerados como parte do problema e da culpa por aqueles que se beneficiam de seus esforços. Por tudo isso dizemos com orgulho: SOMOS TODOS REVENDEDORES!

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