A Petrobras implementou em outubro de 2025 uma nova redução no preço da gasolina A vendida às distribuidoras, marcando o segundo corte do ano. No entanto, levantamentos de novembro de 2025 indicaram que o impacto nas bombas para o consumidor final foi significativamente menor e desigual, levantando discussões sobre a complexidade da cadeia de distribuição e a eficácia do repasse de valores no mercado de combustíveis nacional.
A estatal anunciou em 20 de outubro de 2025 um corte de 4,9% no preço da gasolina A para as distribuidoras, o que correspondeu a uma diminuição de R$ 0,14 por litro, estabelecendo o preço médio em R$ 2,71 por litro a partir do dia 21 do mesmo mês. Esta foi a segunda baixa registrada no preço do combustível em 2025, após uma redução de 5,6% em junho, a primeira desde outubro de 2023.
Apesar da expectativa inicial de um alívio nas bombas, estimado em cerca de R$ 0,10 por litro para os consumidores, a realidade observada em novembro foi de um repasse limitado. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) revelaram que, na primeira quinzena de novembro, o preço médio nacional da gasolina comum recuou apenas 0,47%, equivalente a R$ 0,04 por litro, passando de R$ 6,31 para R$ 6,27. Em algumas capitais, a queda média foi similar.
A discrepância entre a redução na refinaria e o preço final ao consumidor é explicada por múltiplos fatores inerentes à cadeia de distribuição. Custos como frete, a mistura obrigatória de etanol anidro, a incidência de impostos federais e estaduais, e as margens de lucro praticadas por distribuidoras e postos de revenda influenciam diretamente a formação do preço. Adicionalmente, a gestão de estoques dos postos contribui para que o repasse não seja imediato, levando tempo para se materializar.
Regionalmente, a situação apresentou grande heterogeneidade. Enquanto o Rio Grande do Norte registrou reduções mais acentuadas, com quedas de até R$ 0,22 por litro, grandes mercados consumidores como São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro sentiram pouca ou nenhuma variação nos preços. Em contraste, estados como o Amapá chegaram a registrar aumentos, na contramão da tendência nacional de queda. Para revendedores e donos de postos de combustíveis, essa dinâmica ressalta a importância das condições logísticas e competitivas locais na definição de seus preços de venda, impactando suas margens de lucro e a percepção de valor pelos clientes.
Paralelamente à gasolina, o preço médio nacional do etanol também acompanhou um movimento de recuo na primeira quinzena de novembro, com queda de 0,45%, atingindo R$ 4,42 por litro. Em determinadas regiões, especialmente no Centro-Oeste, o biocombustível mostrou-se uma alternativa mais econômica em comparação à gasolina.
A política de preços da Petrobras, que busca “abrasileirar” os valores e mitigar o repasse imediato das volatilidades internacionais, continua sendo tema de análise. Embora a estatal defenda que a estratégia visa proteger o consumidor, o impacto limitado das reduções nas bombas gera debate sobre a efetividade do repasse. Especialistas observam que, mesmo com quedas no valor do petróleo, a gasolina pode operar com ágio em relação ao preço internacional em certos períodos, levantando questionamentos sobre o equilíbrio entre a estabilidade interna e a paridade de importação.
Em síntese, as reduções de preço promovidas pela Petrobras para as distribuidoras, embora significativas, encontram desafios para serem integralmente sentidas pelos consumidores nos postos de combustíveis. A complexa formação de preço final e as particularidades regionais ditam a realidade do mercado. É provável que o debate sobre a transparência dos preços e a estrutura de custos da cadeia de combustíveis se intensifique, e o setor deve continuar atento às futuras decisões políticas e às reações do mercado.
