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App “Olho na Bomba”: mais um entrave para o revendedor

Artigo escrito por Ricardo Pires
Por Ricardo Pires
Criado em 18/03/2019, atualizado em 13/07/2020

Em um papo com um revendedor de Goiás, ouvi um assunto que vale a pena compartilhar para outros revendedores: hoje o empresário é bandido aos olhos do consumidor e da justiça. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) juntamente com a Universidade Federal Goiás (UFG),  criou no fim de 2018, o aplicativo “Olho na Bomba”, para os consumidores identificarem os postos de combustíveis que estão ao redor e os preços praticados.

Por meio do app, é possível também traçar rotas para qualquer destino de Goiás e receber informações sobre os postos existentes no caminho, com destaque aos preços mais baixos e mais altos. Os postos não cadastrados no sistema ficam impedidos de informar ao MP os preços cobrados pela gasolina, o etanol e o diesel, o que implica no descumprimento da obrigação prevista na Lei Estadual nº 19.888/2017 e os sujeitará a multas que variam entre R$ 600 mil a R$ 9 milhões.

Caso o consumidor encontre divergências entre os preços apresentados no aplicativo e aqueles efetivamente praticados pelo posto, pode denunciar ao MP diretamente pela ferramenta. Fico meio confuso com tantas normas e fiscalizações que são feitas para o nosso segmento. É difícil para o revendedor ter que se submeter a isso, não pela questão legal e fiscal, porque a grande maioria é formada de empresários honestos. Eu sempre me pergunto por que os supermercados não são obrigados a expor em uma placa os preços de produtos de cesta básica, assim como nós revendedores com os preços de venda de nossos produtos? Por que os bancos não são obrigados a expor a taxa de juros?

Continuando o raciocínio sobre o aplicativo de Goiás, o revendedor bandeirado fica numa situação muito ruim porque ele não consegue acompanhar o preço de venda do bandeira branca, mas se vê obrigado a competir por causa do aplicativo. E o revendedor que preza por um bom atendimento? Aquele que investe numa mão de obra mais qualificada e benefícios para os clientes, agora também tem que focar o preço! Difícil essa situação, entendo a competência de fiscalização do MP-GO e concordo com isso, mas creio que estão criando algo que pode levar a revenda à falência.

Para piorar a situação, outro revendedor me disse que o app “Olho na Bomba” não comunica com API de softwares de gestão do posto, portanto, deve ser feito manualmente e caso haja diferença entre o real e virtual pode gerar multas ao posto. Imagine a responsabilidade que seu funcionário terá ao alterar o preço, caso digite errado? Correndo o risco de causar um prejuízo ao seu posto?


3 respostas para “App “Olho na Bomba”: mais um entrave para o revendedor”

  1. Avatar Alexandre disse:

    Aqui no Paraná nós temos o MENOR PREÇO um aplicativo do governo do estado, onde mostra o menor valor também em um raio de até 25km, além disso esses dias recebemos uma multa de R$625,00 por o preço não estar condizendo com o que estava na bomba, provavelmente uma alta no dia porem não atualizou o preço, perguntei ao contador o que era e ele me disse: “melhor pagar esses valor “baixo” do que correr o risco de alguma fiscalização.
    Pois é… Infelizmente está cada vez mais difícil trabalhar para quem é honesto!

  2. Avatar Alexandre Barbosa. disse:

    Aproveitando a sua matéria acho interessante incluir que o aplicativo qualifica somente o preço e que esta acontecendo com a revenda e que ela esta verticalizando e em Goiás irão ficar somente duas ou três revendas redes! Uma vez questionado por um juiz conhecido sobre as margens de combustiveis, questionei a ele qual seria a margem justa e a resposta veio a mais rápido possível; a mais barata possível! Então veio minha treplica, seria ótimo des que os impostos acompanhassem a ideia. Para a minha surpresa a resposta dele foi aí não é possível. A verticalização não sera bom para ninguém.

    Parabens pelo trabalho clube petro. Vamos ver até quando a revenda honesta ira aguentar em Goias!

  3. Avatar Artur Pedrosa disse:

    O MP estará fazendo propaganda para os postos que estiverem com preço inferior. Isso é flagrantemente ilegal. O MP vai obrigar os postos a trabalharem com o mesmo preço. E aí? O MP vai processar os donos de postos por formação de cartel? O que está desenhado é de um absurdo gritante. A Fecombustíveis deveria atuar nessa questão.

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