A defasagem do preço do diesel nas refinarias da Petrobras em relação ao mercado internacional atingiu patamares alarmantes no Brasil, gerando preocupações para a economia e o setor de combustíveis. Em setembro de 2025, a disparidade chegou a 13%, cenário que já havia se intensificado no início do ano, com picos de 22% em janeiro. Essa política de preços da estatal, desatrelada da Paridade de Preço de Importação (PPI), inibe as importações e levanta alerta sobre o abastecimento e a estabilidade do mercado nacional.
A defasagem do diesel, que exige um aumento potencial de R$ 0,43 por litro para ser zerada, mantém as janelas de importação privadas fechadas no país. Este panorama, com 13% de diferença em setembro de 2025, ecoa situações críticas anteriores, como agosto de 2023, quando um reajuste de 25,8% no diesel foi implementado, e janeiro de 2025, que registrou 22% de defasagem.
A origem do problema reside na política de preços adotada pela Petrobras desde maio de 2023. Ao desvincular-se da Paridade de Preço de Importação (PPI), a estatal busca maior flexibilidade para gerenciar a volatilidade do mercado global e cambial. Contudo, na prática, essa abordagem tem resultado na manutenção de preços internos significativamente abaixo dos valores internacionais, desestimulando a concorrência.
Essa divergência de preços tem um impacto direto na oferta de diesel no país. Com as importações privadas desestimuladas, uma vez que outras empresas não conseguem competir com os valores praticados pela Petrobras, o Brasil fica mais dependente da produção interna. Isso aumenta a pressão sobre os estoques nacionais e eleva o risco de desabastecimento em diversas regiões. Em momentos de maior tensão, como agosto de 2023, distribuidoras menores e postos já reportaram dificuldades na aquisição do combustível.
Para importadores de diesel e produtores de etanol, a situação é igualmente desfavorável. A estagnação dos preços pela Petrobras diminui a competitividade de seus produtos, reduzindo seu espaço nos pontos de venda. Adicionalmente, o cenário gera incerteza, dificultando novos investimentos no setor de refino e distribuição privados.
Apesar de reajustes pontuais, como o aumento de R$ 0,22 por litro em fevereiro de 2025 (medida que ainda deixou uma defasagem de 9%), e uma subsequente redução em abril do mesmo ano, a Petrobras defende que sua política visa proporcionar estabilidade aos consumidores, evitando o repasse imediato das flutuações externas. No entanto, especialistas e associações, como a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), criticam veementemente a alta defasagem, alertando para a distorção da concorrência e o perigo de reajustes bruscos futuros, com potencial impacto inflacionário. A pressão sobre os preços internos é agravada pela escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por questões geopolíticas (sanções à Rússia, restrições da Opep) e pela desvalorização do câmbio.
Impacto para o revendedor e dono de posto de combustíveis:
Para você, proprietário de posto ou revendedor de combustíveis, essa defasagem representa um desafio significativo. A instabilidade na oferta e a incerteza sobre futuros reajustes podem impactar diretamente sua gestão de estoque e a precificação na bomba. O fechamento das janelas de importação limita as fontes de suprimento, tornando o mercado mais dependente de um único player e, consequentemente, mais volátil. É fundamental estar atento a esses movimentos, pois a qualquer momento, uma correção abrupta de preços pode afetar sua margem e a demanda dos consumidores, exigindo uma adaptação rápida e estratégica para manter a competitividade e a rentabilidade do seu negócio.
Diante do cenário de persistente defasagem do diesel, a expectativa é de aumento da pressão sobre a Petrobras para reavaliar sua política de preços, buscando um equilíbrio que concilie a estabilidade para o consumidor com a saúde financeira e a competitividade do mercado de combustíveis. O debate sobre os mecanismos de precificação tende a se intensificar, com possíveis desdobramentos em decisões políticas e reações do setor, visando mitigar os riscos de desabastecimento e de impacto inflacionário que o atual panorama apresenta. Fale com um dos nossos especialistas e saiba como se prevenir desse impacto.
