A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, em 5 de fevereiro de 2025, a Operação “Ouro Negro”, visando desarticular uma complexa rede criminosa especializada no furto de petróleo e derivados de dutos subterrâneos da Petrobras. A ação teve como principal alvo o contraventor Vinicius Drumond, herdeiro do conhecido bicheiro Luizinho Drumond, apontado como o líder e financiador do esquema que utilizava recursos do jogo do bicho para sustentar suas operações ilícitas.
As investigações revelaram que Vinicius Drumond chefiava e financiava a quadrilha com uma estrutura hierarquizada, possuindo setores especializados na perfuração de dutos, transporte e armazenamento dos combustíveis furtados. A organização contava ainda com uma sofisticada rede de informantes para monitorar ações policiais e evitar a repressão, além de utilizar empresas de fachada e “laranjas” para lavagem de dinheiro e disfarce das atividades ilícitas.
Segundo as apurações da Polícia Civil, o financiamento de toda essa estrutura provinha diretamente dos recursos gerados pelo jogo do bicho. O capital era empregado na aquisição de equipamentos de perfuração, aluguel de veículos para transporte e na remuneração de colaboradores e intermediários. O petróleo furtado era subsequentemente revendido como matéria-prima para indústrias, que o utilizavam na produção de asfalto, borracha e plástico, sendo, em muitos casos, as principais receptadoras do produto roubado. Durante a operação, foram apreendidos R$ 200 mil em espécie, carros de luxo e joias.
A promotora de justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Tatiana Kaziris, reiterou a profunda associação de integrantes do jogo do bicho com organizações criminosas dedicadas ao furto de combustíveis. Ela destacou que, devido ao combate intensificado no Rio de Janeiro, o crime tem se capilarizado, expandindo-se para outros estados onde o delito ainda não era comum, evidenciando a adaptabilidade e o crescimento dessas quadrilhas.
Vinicius Drumond também é investigado por envolvimento em agiotagem, lavagem de dinheiro e corrupção. A polícia apura, ademais, possíveis ligações de veículos alugados por uma locadora supostamente vinculada à organização de Drumond em pelo menos dois homicídios, incluindo o do advogado Rodrigo Crespo, ocorrido no ano anterior. A Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte e armazenamento de petróleo, informou que colabora ativamente com as investigações e investe em tecnologia de ponta para combater a extração clandestina. A empresa reportou uma redução de 90% nos furtos em seus dutos desde 2020, embora reconheça a persistência da atuação do crime organizado.
Para você, revendedor ou proprietário de posto de combustível, a Operação Ouro Negro ressalta a importância da segurança e da integridade da cadeia de suprimentos de energia. Embora o petróleo furtado fosse primariamente destinado a indústrias como matéria-prima e não para o abastecimento direto em postos, a existência de um esquema de tal magnitude gera impactos indiretos significativos para todo o segmento. Isso inclui potenciais prejuízos patrimoniais para empresas como a Petrobras e a Transpetro, que podem se refletir em custos para a cadeia de suprimentos, e a necessidade contínua de investimentos em tecnologia e segurança para proteger os dutos. Tal cenário sublinha a importância da integridade da cadeia logística de combustíveis. A capilarização do crime para outras regiões, conforme alertado pelo Ministério Público, representa um desafio à segurança e à regularidade do mercado em nível nacional, exigindo vigilância constante e fiscalização reforçada sobre todas as etapas da distribuição.
A Operação “Ouro Negro” representa um passo significativo no combate ao crime organizado no setor de combustíveis, visando desmantelar uma quadrilha de grande porte. Contudo, a adaptabilidade e a capacidade de expansão dessas organizações criminosas, como evidenciado pela capilarização para outros estados, sugerem que novas lideranças ou métodos podem surgir. Espera-se um fortalecimento das ações de inteligência e repressão por parte das forças policiais e do Ministério Público, além de uma intensificação das medidas de segurança e monitoramento de dutos pela Transpetro e Petrobras. É provável que os órgãos reguladores aumentem a fiscalização sobre as indústrias que utilizam produtos petrolíferos como matéria-prima, para coibir a receptação. A discussão no Congresso Nacional sobre o aumento de penas para esses crimes pode ganhar força, indicando uma tendência de combate contínuo e mais integrado entre as esferas policial, ministerial e as empresas afetadas, na busca por um mercado de combustíveis mais seguro e íntegro.
