Entenda como o reajuste do imposto sobre diesel, gasolina e GLP, formalizado pelo Confaz, impactará o mercado a partir de 1º de janeiro de 2026, elevando preços e exigindo atenção redobrada na gestão de postos de combustíveis.
A partir de 1º de janeiro de 2026, o Brasil enfrentará um novo cenário de custos no setor de combustíveis, com a implementação das novas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o diesel, a gasolina e o gás de cozinha (GLP). A decisão, formalizada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e publicada no Diário Oficial da União em outubro de 2025, estabelece valores fixos unificados em todo o território nacional. A medida, que visa ajustar a arrecadação estadual, deve pressionar a cadeia logística do país, resultando em custos mais elevados para transportadoras, revendedores de combustíveis e, consequentemente, para o consumidor final, devido ao encarecimento dos fretes e produtos.
O reajuste trará um acréscimo de R$ 0,05 no ICMS do diesel, que passará de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro. Para a gasolina, o imposto subirá R$ 0,10, indo de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro. Já o gás de cozinha (GLP) terá um aumento de R$ 1,05 por botijão, com a alíquota por quilo ajustada para R$ 1,47 (ante R$ 1,39).
Este ajuste anual é pautado pela Lei Complementar nº 192/2022, que instituiu a tributação monofásica e unificada do ICMS sobre combustíveis. As novas alíquotas foram calculadas com base nos preços médios mensais dos combustíveis apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre fevereiro e agosto de 2025, comparados ao mesmo período de 2024.
Especialistas preveem que o impacto nas bombas será percebido de forma imediata, uma vez que os postos de combustíveis tendem a repassar os novos valores assim que as tabelas atualizadas são recebidas. No médio e longo prazo, a elevação do custo do diesel – combustível que move a maior parte da frota nacional – pressionará os custos logísticos de toda a cadeia produtiva no Brasil. Essa pressão sobre o transporte rodoviário, modal predominante no país, se refletirá no encarecimento dos fretes, impactando a precificação final de alimentos, bens de consumo e produtos industrializados. O consumidor final, portanto, sentirá o aumento através de uma elevação generalizada da inflação.
Dados do Gasola by nstech indicam que, enquanto o preço do diesel registrou uma alta de 3% em 2024 e uma leve queda de aproximadamente 1% em 2025, o aumento do ICMS em 2026 anulará essa pequena redução, projetando uma nova sequência de alta. Para uma queda contínua, seria necessária uma combinação improvável de dólar mais baixo e barril de petróleo em retração.
O cenário político de 2026, ano eleitoral, adiciona um fator de incerteza. Historicamente, os combustíveis são sensíveis às decisões governamentais e à política de preços da Petrobras, o que pode gerar instabilidade ou tentativas de segurar artificialmente os preços.
Revendedores e Donos de Postos de Combustíveis
Para você, que é revendedor ou proprietário de posto de combustíveis, este cenário exige atenção e planejamento. O repasse dos novos valores de ICMS será imediato e impactará diretamente o preço de venda na bomba. É fundamental que você esteja preparado para ajustar suas tabelas de preços e, conforme as melhores práticas, comunique-se de forma transparente com seus clientes.
A gestão eficiente do estoque, a negociação com fornecedores e o monitoramento constante das tendências regionais de preços tornam-se ainda mais cruciais. Otimizar a operação do seu posto e buscar soluções para mitigar perdas pode ser decisivo para manter a competitividade e a rentabilidade em um mercado que já opera com margens desafiadoras.
Próximos Passos e Expectativas
Diante deste panorama, o setor de combustíveis e a economia em geral se preparam para um período de ajustes de custos. A expectativa é de que a pressão inflacionária se mantenha, exigindo estratégias de otimização de custos por parte das empresas e um planejamento financeiro cuidadoso por parte dos consumidores. Novos desdobramentos dependerão não apenas de variáveis econômicas globais, como a cotação do dólar e do barril de petróleo, mas também das políticas governamentais e das decisões da Petrobras no ano eleitoral. Manter-se informado e adaptável será essencial para navegar neste novo cenário.
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