A produção de etanol de milho no Brasil está prestes a alcançar a marca de 10 bilhões de litros no encerramento do ano-safra 2025/2026, consolidando-se como um terço do mercado nacional de etanol. Com um crescimento robusto de mais de 30% anualmente nos últimos oito anos, o setor projeta uma expansão adicional de 20% para a próxima safra (2026/2027), elevando a oferta a aproximadamente 12 bilhões de litros. Este avanço, impulsionado por significativos investimentos, aponta para uma diversificação da matriz energética e potenciais desdobramentos nos preços do combustível, exigindo novas estratégias de mercado para absorver o volume crescente.
O expressivo salto na produção do etanol de milho, que deve somar cerca de 10 bilhões de litros na safra atual (2025/2026), destaca a maturidade e o dinamismo deste segmento. Conforme projeções da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a próxima safra, com início em abril de 2026, prevê um acréscimo de aproximadamente 20%, podendo atingir a casa dos 12 bilhões de litros. Outras análises, como a da consultoria Argus, confirmam essa tendência de crescimento robusto, estimando 11,1 bilhões de litros para o Centro-Sul na safra 2026/2027, um aumento de 16% impulsionado por novos investimentos e ampliação de capacidade. A Unem, inclusive, estima que a produção total de etanol no Brasil poderá ultrapassar 40 bilhões de litros na safra 2026/2027, com uma participação equilibrada entre o etanol de milho e o de cana-de-açúcar.
Este rápido aumento na oferta, que pode superar 10% em um único ciclo, contrasta com uma projeção de crescimento de consumo em torno de 2%. Tal cenário exige do setor o desenvolvimento de estratégias inovadoras para garantir a absorção desse volume adicional. Entre as frentes prioritárias estão a ampliação do consumo interno em regiões onde o etanol ainda é subutilizado, a substituição da gasolina em mercados já consolidados e a exploração de oportunidades no cenário internacional, como o combustível sustentável de aviação (SAF).
A concentração do consumo de etanol hidratado é um desafio notável. Grande parte da demanda se concentra em seis estados produtores: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Em contrapartida, regiões como Sul, Norte e Nordeste apresentam um consumo limitado, muitas vezes devido ao preço mais elevado do etanol em relação à gasolina. A expansão das biorrefinarias de milho, com 25 unidades em operação e a expectativa de chegar a 33 até o final de 2026, pode contribuir para descentralizar o consumo e estimular o cultivo do milho em novas áreas. O setor tem atraído investimentos substanciais, com o Itaú BBA estimando aportes de R$ 23 bilhões na indústria, dos quais R$ 15 bilhões deverão ser desembolsados entre 2025 e 2027. Além do biocombustível, o processamento do milho gera coprodutos valiosos para a nutrição animal, como o DDGS.
Para você, revendedor de combustíveis, a ampliação da oferta de etanol de milho representa uma importante dinâmica de mercado. A expectativa é que o aumento da produção, tanto de milho quanto de cana-de-açúcar, resulte em uma pressão de baixa nos preços do etanol em 2026, com algumas análises projetando uma queda de até 10%.
Essa potencial redução nos custos pode elevar a competitividade do etanol em relação à gasolina, especialmente em mercados onde a paridade de preços é um fator decisivo para a escolha do consumidor. Para o seu negócio, isso significa a oportunidade de atrair mais clientes para o etanol, potencialmente incrementando o volume de vendas e diversificando a oferta do seu posto. Contudo, é fundamental estar atento às variações regionais de preço e às estratégias para impulsionar o consumo local.
Embora o milho utilizado para a produção de etanol seja predominantemente de segunda safra, o que, em tese, evita a competição direta com a produção de alimentos, especialistas alertam para a necessidade de monitoramento rigoroso. O objetivo é assegurar que o crescimento do etanol não gere pressões indevidas sobre os preços do milho ou comprometa a disponibilidade do grão para alimentação animal e humana, garantindo a sustentabilidade e a soberania alimentar.
Diante da robusta expansão do etanol de milho, o cenário para os próximos anos é de consolidação e novos desafios. A tendência é de continuidade nos investimentos e na ampliação da capacidade produtiva, o que deve manter a oferta em patamares elevados. Para o setor, a prioridade será a busca ativa por mercados que possam absorver essa produção, seja através do incentivo ao consumo interno, do desenvolvimento de novas aplicações como o SAF, ou da exploração de oportunidades de exportação.
As políticas públicas desempenharão um papel crucial na sustentação desse crescimento, ao passo que a vigilância sobre a relação entre a produção de biocombustíveis e a segurança alimentar permanecerá em pauta. Portanto, preparar-se para um mercado de etanol potencialmente mais competitivo e com maior volume é essencial para otimizar suas estratégias de vendas e rentabilidade.