O banco de investimento Goldman Sachs emitiu um alerta severo em 07 de março de 2026, indicando que os preços do petróleo bruto e de produtos refinados têm potencial para ultrapassar os picos históricos registrados em 2008 e 2022. Analistas do banco, liderados por Dan Struyven, apontam para a intensificação das interrupções nos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz, um corredor marítimo crucial no Golfo Pérsico, como a principal causa de um cenário de alta significativamente mais grave do que o previsto.
O alerta do Goldman Sachs revisa drasticamente suas projeções iniciais para o petróleo Brent, que antes indicavam negociações na faixa de US$ 80 em março e US$ 70 no segundo trimestre. Agora, a perspectiva é de uma elevação substancial. O Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de energia, é responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% a 25% do consumo mundial de petróleo, equivalente a cerca de 20 a 21 milhões de barris por dia. As análises recentes do banco indicam uma queda nos embarques de aproximadamente 1,8 milhão de barris por dia, representando cerca de 10% abaixo dos níveis normais e superando em muito as expectativas anteriores; algumas projeções sugerem que os fluxos estão até 90% abaixo do habitual.
As rotas alternativas de exportação, como os terminais de Yanbu na Arábia Saudita e Fujairah nos Emirados Árabes Unidos, têm se mostrado insuficientes para compensar o déficit, redirecionando apenas 0,9 milhão de barris por dia de uma capacidade teórica de cerca de 3,6 milhões. A situação é agravada por ataques recentes ao porto de Fujairah e pela escassez de combustível marítimo local, expondo a vulnerabilidade da infraestrutura de exportação regional.
Em um cenário de fechamento total do Estreito por um mês, o banco de investimento estima que o preço do petróleo poderia subir em US$ 15 por barril. Mesmo com a utilização de toda a capacidade de oleodutos sobressalente, a alta seria de aproximadamente US$ 12 por barril. A liberação de reservas estratégicas globais, a uma taxa de 2 milhões de barris por dia, poderia atenuar o impacto para cerca de US$ 10 por barril. Contudo, outras análises, como as da ING Research, sugerem que uma interrupção prolongada poderia levar os preços a ultrapassar os US$ 150 por barril, um choque que o Goldman Sachs considera substancialmente maior do que a disrupção na produção russa no início de 2022.
A principal causa dessa escalada de riscos são as intensas tensões geopolíticas no Oriente Médio, incluindo ataques dos EUA e Israel ao Irã, bem como ameaças iranianas de atacar navios que tentem atravessar o estreito. Além do petróleo, o Goldman Sachs também ajustou para cima as projeções para o preço do gás natural TTF na Europa, que pode atingir 63 euros por megawatt-hora (MWh) no segundo trimestre de 2026, com potencial de chegar a 74 euros por MWh em caso de paralisação completa dos fluxos de GNL por um mês. Para disrupções mais longas, a projeção pode superar 100 euros por MWh, com o Catar, um importante exportador de GNL (responsável por 20% da oferta global), indicando uma possível prolongação das interrupções.
O que isso significa para você, revendedor?
Para o setor de combustíveis, essa situação se traduz em volatilidade extrema e um significativo aumento nos custos operacionais para refinarias e empresas de transporte. Embora algumas petrolíferas europeias possam registrar maior lucratividade, a incerteza para o transporte marítimo global e o risco de escassez de produtos refinados representam desafios consideráveis.
Este cenário aponta para um provável repasse de custos na bomba, elevando o preço final para o consumidor. Para a sua operação, significa que as margens de lucro podem ser pressionadas, exigindo uma gestão de estoque e precificação ainda mais estratégica e dinâmica. É fundamental que você, como gestor, esteja atento aos noticiários econômicos e geopolíticos, compreendendo o impacto direto dessas oscilações globais no seu negócio local. A capacidade de adaptação e a busca por eficiência operacional serão cruciais para navegar por este período de incertezas, que demandará decisões rápidas e bem informadas.
Diante da complexidade e da gravidade da situação no Estreito de Ormuz, o mercado global de energia deverá permanecer em estado de alerta máximo. A dependência da estabilidade geopolítica do Oriente Médio para os preços globais de energia será ainda mais acentuada. Governos podem ser pressionados a considerar a liberação de reservas estratégicas de petróleo para tentar mitigar os impactos, mas a volatilidade deve persistir.
Os próximos desdobramentos das tensões regionais e a capacidade das rotas alternativas de se mostrarem eficazes ditarão o rumo dos preços nos próximos meses, exigindo um monitoramento constante por parte de todos os agentes do setor.