A Petrobras instituiu um regime de “cota-dia” para a distribuição de diesel, restringindo o acesso a volumes adicionais do combustível por parte de grandes distribuidoras e consumidores diretos. A medida, que já resultou em cortes de 20% a 30% nas cotas extras, visa conter a formação de estoques especulativos no mercado, que antecipava um iminente reajuste nos preços do diesel.
Essa expectativa foi impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio – com o petróleo Brent atingindo patamares próximos a US$100 por barril – e pela desvalorização do real frente ao dólar. Diante desse cenário de pressão inflacionária e risco de desabastecimento, o governo brasileiro anunciou, o zeramento temporário das alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização do óleo diesel.
A estratégia da Petrobras surge em um contexto de forte valorização do petróleo Brent no mercado internacional, influenciada por conflitos no Oriente Médio, como os ataques entre EUA, Israel e Irã, e o fechamento do Estreito de Ormuz. Essa conjuntura levou o diesel comercializado pela estatal no mercado interno a apresentar uma defasagem de até 60% em relação aos preços internacionais, equivalente a R$1,94 por litro, podendo chegar a R$2,74 por litro segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Tal diferença tornou as importações de diesel financeiramente inviáveis para outros players, incentivando uma corrida por parte dos compradores para estocar o produto a preços mais baixos, visando lucrar com futuras elevações.
A limitação na oferta gerou preocupação generalizada, sendo interpretada por diversos agentes do mercado como uma forma de racionamento. Empresas Transportadoras-Revendedoras-Retalhistas (TRRs), que fornecem diesel para o agronegócio, indústrias e transportadoras, já reportam dificuldades na aquisição do combustível. A estimativa é que os estoques privados de diesel possam durar, no máximo, 15 dias, com risco de desabastecimento mais acentuado em regiões como o Nordeste e o Rio Grande do Sul, que dependem mais de volumes importados. Enquanto a Petrobras busca estabilizar os preços internos e proteger sua rentabilidade, refinarias privadas, como Acelen (Bahia), 3R Petroleum (Rio Grande do Norte), Ream (Amazonas) e Mataripe (Bahia), já repassaram sucessivos aumentos aos seus preços em março, alinhando-se com as flutuações do mercado internacional.
Diante da iminente alta dos combustíveis e do potencial impacto sobre a inflação e a economia do país, o governo federal interveio. A medida de zerar temporariamente as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel visa amortecer o repasse da alta do petróleo para o consumidor final, sem, contudo, interferir na política de preços da Petrobras. Complementarmente, o governo assinou uma Medida Provisória que prevê a subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, condicionada à comprovação do repasse da redução ao consumidor, e mencionou a criação de um imposto sobre a exportação de petróleo para financiar parte dessas ações.
O que isso significa para os revendedores?
Este cenário exige atenção e planejamento estratégico. A limitação da oferta por parte da Petrobras, que responde por cerca de 70% do diesel do país, aliada aos aumentos praticados pelas refinarias privadas, pode gerar instabilidade no suprimento do seu estoque e impactar seus custos de aquisição. A percepção de “racionamento” pode intensificar a busca por combustível, exigindo uma gestão de estoque ainda mais rigorosa.
A medida governamental de zerar PIS/Cofins, embora emergencial, oferece um alívio temporário na pressão sobre o preço final ao consumidor. No entanto, é fundamental compreender que essa ação não resolve a defasagem estrutural entre os preços da Petrobras e o mercado internacional. Você precisará monitorar de perto as atualizações e garantir que sua política de precificação reflita tanto a realidade dos seus custos de compra quanto as diretrizes fiscais vigentes, mantendo a competitividade e a rentabilidade do seu negócio em um ambiente de tanta volatilidade.
Próximos Passos e Expectativas
O cenário no mercado de combustíveis permanece volátil e incerto. A efetividade das medidas governamentais para conter a inflação e garantir o abastecimento dependerá diretamente da evolução dos preços do petróleo no mercado internacional e das futuras decisões da Petrobras em relação à sua política de preços.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o governo continuarão monitorando a situação de perto. A sustentabilidade das subvenções e a possível implementação de um imposto sobre a exportação de petróleo serão temas de debate e podem trazer novos desdobramentos. Para o setor, a expectativa é de uma contínua vigilância e a necessidade de adaptação rápida a um ambiente de constantes mudanças e possíveis reajustes futuros, mesmo que mitigados.
