O setor de distribuição de combustíveis no Brasil passa por uma reestruturação significativa, impulsionada por uma intensificação no combate a fraudes e irregularidades. Em março de 2026, com base em operações realizadas desde 2024, órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, ANP e Inmetro atuam conjuntamente para coibir práticas ilícitas, promovendo um ambiente de mercado mais justo e fortalecendo as distribuidoras e postos que operam dentro da legalidade.
Esta ofensiva tem gerado resultados expressivos para as empresas formais. Dados do Itaú BBA mostram que, entre março e dezembro de 2025, distribuidoras que seguem as regras recuperaram 9 pontos percentuais no mercado paulista de gasolina e 13 pontos no fluminense. No diesel, a recuperação foi de 6 pontos em São Paulo e 13 pontos no Rio de Janeiro. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) corrobora essa tendência, indicando que, de dezembro de 2024 a dezembro de 2025, a participação das três maiores distribuidoras nas vendas nacionais de gasolina cresceu de 53,16% para 55,41%, e no diesel, de 56,15% para 59,50%.
As operações de fiscalização são rigorosas e abrangentes. Em fevereiro de 2026, uma ação conjunta entre Inmetro e ANP identificou 214 irregularidades em postos de oito estados e no Distrito Federal. Em janeiro do mesmo ano, a Operação Tank, conduzida pela Polícia Federal em Curitiba, resultou no indiciamento de oito pessoas por fraudes em 50 postos, expondo esquemas como a “bomba baixa” e a adulteração de gasolina com excesso de etanol, muito acima do limite permitido. Mais recentemente, em março de 2026, uma força-tarefa em São Paulo interditou postos e lacrou bombas devido a alterações mecânicas e elétricas que causavam perdas de até 1.640 ml a cada 20 litros abastecidos.
Entre as fraudes combatidas estão a sonegação fiscal, a adulteração de combustíveis e a manipulação de bombas. Empresas historicamente ligadas a ilícitos, como a Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), viram sua participação de mercado ser drasticamente reduzida. Em contraste, companhias como Vibra e Ultrapar (controladora da Ipiranga) registraram valorização de suas ações, refletindo um ambiente competitivo mais equitativo. A Raízen, embora de grande porte, enfrenta desafios financeiros próprios.
O Que Isso Significa para o Seu Posto?
Este cenário de maior fiscalização significa uma competição mais justa e um ambiente de negócios mais transparente. A redução das fraudes por parte de concorrentes desleais, que se beneficiavam de sonegação e adulteração, permite que os postos que operam dentro da lei compitam em condições de igualdade, valorizando a qualidade do produto e a confiança do consumidor. É fundamental manter sua operação em total conformidade com as exigências da ANP e demais órgãos reguladores para garantir a sustentabilidade e o crescimento do seu negócio.
O setor acredita que a crescente visibilidade da segurança pública no debate político assegurará a continuidade e até a intensificação da fiscalização. No entanto, há um alerta constante para o surgimento de novas modalidades de fraude, como a persistência da “bomba baixa”, que gerou 153 autuações da ANP somente em 2025. Além do combate às fraudes, a ANP também tem focado na regulamentação do mercado de gás natural e na flexibilização de estoques de diesel para garantir o abastecimento, especialmente em regiões de forte demanda como o Sul do país.
Próximos Passos e Oportunidades
Em síntese, o mercado de combustíveis vive um momento de reconfiguração positiva, onde a atuação rigorosa dos órgãos fiscalizadores está pavimentando o caminho para um ambiente de negócios mais ético e competitivo. Espera-se que essa vigilância se mantenha, consolidando os ganhos em transparência e legalidade. Para você, revendedor, é um convite a reforçar as boas práticas e colher os frutos de um mercado mais equilibrado.
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