A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu, em 26 de janeiro de 2026, as primeiras autorizações para a produção e comercialização de gás liquefeito de origem 100% renovável, conhecido como Bio-GL. A Refinaria de Petróleo Riograndense, localizada em Rio Grande (RS), foi a pioneira a receber o aval para operar integralmente com matéria-prima renovável (óleo vegetal), estabelecendo-se como a primeira biorrefinaria do Brasil e da América Latina. Essa iniciativa representa um marco fundamental para a transição energética do país, impulsionando as metas de descarbonização e sustentabilidade.
A decisão da ANP permite que o Bio-GL, equivalente renovável do gás liquefeito de petróleo (GLP) convencional, o tradicional gás de cozinha, seja produzido e comercializado em larga escala. A autorização seguiu um rigoroso processo que incluiu testes de coprocessamento industrial em 2025, os quais validaram a tecnologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras. Essa tecnologia possibilita o processamento de carga totalmente renovável, formalmente incorporado à autorização da refinaria, em conformidade com a Resolução ANP nº 852/2021.
Testes laboratoriais conduzidos pela empresa Ultragaz, simulando o uso em fogões e aquecedores domésticos, confirmaram a equivalência técnica do Bio-GL ao GLP fóssil. Os resultados demonstraram padrões de potência, consumo, eficiência energética e emissões de monóxido de carbono dentro dos limites regulatórios, o que significa que o Bio-GL pode ser utilizado como combustível “drop-in” – ou seja, sem a necessidade de quaisquer adaptações nos equipamentos ou na infraestrutura existente.
Impacto para o Mercado de Combustíveis e Revendedores
Para você, revendedor e dono de posto de combustível, essa novidade traz implicações importantes. A autorização do Bio-GL abre um novo horizonte no portfólio de produtos energéticos. A característica de “drop-in” simplifica a adoção pelo consumidor final, eliminando barreiras de adaptação e tornando a oferta desse gás renovável uma transição mais suave para sua clientela.
Estimativas indicam que o uso do Bio-GL pode gerar uma redução de 65% a 70% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com os combustíveis fósseis. Essa significativa contribuição para as metas climáticas do Brasil até 2050 posiciona o Bio-GL como uma alternativa atrativa para consumidores e empresas com crescente preocupação ambiental. Para o seu negócio, oferecer um produto com tal apelo de sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo, atraindo um público consciente e alinhando sua operação às tendências globais de mercado.
A conversão integral da Refinaria Riograndense em biorrefinaria faz parte dos planos de expansão e descarbonização da Petrobras, que detém participação na refinaria em parceria com os grupos Ultra e Braskem. Está previsto um investimento de aproximadamente R$ 6 bilhões (ou US$ 1 bilhão) para essa transformação, com os trabalhos de conversão integral esperados para iniciar no segundo semestre de 2026. A Portos RS também oferece suporte logístico crucial para o projeto, auxiliando na importação de insumos e exportação de derivados renováveis pelo Porto de Rio Grande.
Este avanço reforça a segurança energética nacional, diversificando a matriz de combustíveis e reduzindo a dependência de fontes fósseis. Além do Bio-GL, a Riograndense e suas sócias planejam futuramente investir na produção de combustível sustentável de aviação (SAF), consolidando a visão de longo prazo para um mercado de combustíveis mais verde.
A autorização da ANP para a Refinaria Riograndense não é apenas um feito regulatório; ela estabelece um novo paradigma para o setor de combustíveis no Brasil. O precedente criado pode estimular o desenvolvimento e a regulamentação de outras tecnologias de biocombustíveis, impulsionando a pesquisa e o investimento em energias renováveis. Para você, que atua no mercado de combustíveis, é fundamental acompanhar os próximos passos desse desenvolvimento, como a entrada efetiva do Bio-GL no mercado, sua precificação e a reação dos consumidores, para estar preparado para as oportunidades e desafios dessa nova era energética. Continuaremos informando sobre os desdobramentos desse importante marco.
