A partir de 1º de agosto de 2025, o Brasil implementou uma mudança significativa na composição da gasolina comum, elevando o teor obrigatório de etanol anidro de 27% para 30% (E30). A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e parte da “Lei do Combustível do Futuro”, tem como objetivos primordiais fortalecer a segurança energética do país, reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis e mitigar a emissão de poluentes. O governo federal projeta uma possível queda nos preços da gasolina ao consumidor.
Essa alteração, que também eleva o teor mínimo para 25% na gasolina premium, foi validada por testes de viabilidade técnica conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Esses estudos confirmaram a compatibilidade da nova mistura com a frota de veículos leves nacionais, assegurando que não haverá comprometimento de desempenho ou durabilidade dos motores. O Ministério de Minas e Energia (MME) argumenta que o maior percentual de etanol, devido à sua menor carga tributária e à expectativa de menos importações de gasolina, pode resultar em uma redução dos preços finais, estimando uma diminuição entre R$ 0,11 e R$ 0,20 por litro para o consumidor.
No entanto, as projeções para o mercado de etanol apresentam cenários mais complexos. Embora o governo antecipe uma gasolina mais acessível, o efeito sobre o etanol pode ser diverso. Análises de consultorias, como o Itaú BBA, indicavam previamente uma potencial valorização dos preços do etanol, tanto anidro quanto hidratado, em razão do aumento da demanda pelo componente de mistura e de uma possível revisão para baixo na oferta de etanol de cana-de-açúcar. De fato, dados da primeira quinzena de setembro de 2025 registraram um acréscimo significativo no preço médio do etanol nos postos, alcançando R$ 4,34/litro, o maior valor desde maio daquele ano, impulsionado pela maior procura para a mistura. Contraditoriamente, na terceira semana de setembro, observou-se uma queda nos preços do etanol anidro e hidratado, refletindo ajustes de mercado e uma desaceleração da demanda.
A elevação da mistura para 30% é esperada para gerar um acréscimo considerável na demanda por etanol anidro, projetado entre 1,2 bilhão e 1,46 bilhão de litros anuais. O setor sucroenergético, notadamente a produção de etanol de milho, que tem demonstrado um crescimento robusto, está se preparando para suprir essa nova demanda, com uma previsão de aumento de 17% na produção, atingindo 9,6 bilhões de litros. Por outro lado, a oferta de etanol de cana-de-açúcar pode sofrer uma retração de 10% na safra 2025/26. Apesar do incremento no anidro, a oferta total de etanol no Brasil pode recuar em 8%, o que resultaria em uma diminuição considerável na disponibilidade de etanol hidratado para os consumidores.
Para você, revendedor e dono de posto de combustível, essa nova realidade exige atenção redobrada. A consultoria StoneX, por exemplo, previu uma queda de 1,8% no consumo de etanol hidratado no ano, devido à menor competitividade frente à gasolina. A paridade do etanol hidratado em relação à gasolina nos postos de São Paulo, um importante termômetro, deve se manter acima dos níveis de 2024/25, possivelmente chegando a 72%. Isso significa que o etanol hidratado pode se tornar menos vantajoso para o consumidor final em comparação com a gasolina, influenciando diretamente suas vendas e sua estratégia de preços. É fundamental monitorar de perto a oscilação dos preços de ambos os combustíveis e a preferência dos seus clientes para otimizar seus estoques e margens.
Em síntese, o aumento da mistura de etanol na gasolina, uma medida estratégica para a segurança energética e ambiental do país, traz um cenário de oportunidades e desafios. Enquanto o governo projeta uma gasolina mais econômica, o mercado de etanol demonstra volatilidade, com pressões de demanda e oferta que influenciam diretamente o preço ao consumidor e, por consequência, a rentabilidade do seu posto. A “Lei do Combustível do Futuro” prevê um possível aumento gradual da mistura de etanol até 35%, sinalizando uma tendência de consolidação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Manter-se informado sobre as dinâmicas de mercado e as decisões regulatórias será crucial para ajustar suas operações e garantir a competitividade.
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