A Petrobras reafirma seu compromisso com a transição energética e o biometano, projetando investimentos bilionários, enquanto a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás) vê a iniciativa de forma positiva, sem risco de concentração de mercado. No entanto, o setor enfrenta desafios iniciais de precificação e oferta, demandando atenção regulatória para o pleno desenvolvimento do biocombustível no país.
Durante o 12º Fórum do Biogás, realizado em São Paulo no dia 02 de setembro de 2025, a presidente-executiva da Abiogás, Renata Isfer, declarou que a entrada da Petrobras no mercado de biometano é um avanço benéfico, não configurando uma ameaça à pluralidade da oferta. Segundo Isfer, a produção de biometano não é o foco principal da estatal, e a presença de outros grandes investidores privados já assegura um mercado diversificado. Essa perspectiva otimista sinaliza o reconhecimento do papel impulsionador que a Petrobras pode desempenhar no segmento.
A Petrobras, por sua vez, demonstrou um engajamento estratégico robusto. O plano estratégico da companhia para 2025-2029 prevê um investimento de US$ 16,5 bilhões em transição energética, com foco significativo em biometano. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, salientou no mesmo evento o objetivo de “fundir o setor petróleo com o agro brasileiro”, destacando a importância de biocombustíveis como o biometano e o etanol. Os planos da estatal incluem a aquisição do insumo, investimento em biorrefino e a aquisição de participações em plantas existentes, priorizando parcerias em vez de uma operação exclusiva.
Contudo, o setor de biometano ainda enfrenta obstáculos práticos. Em janeiro de 2025, a Petrobras lançou uma chamada pública para adquirir biometano, com contratos de até 11 anos e entregas a partir de 2026, visando atender à Lei do Combustível do Futuro. Esta lei estabelece um mandato de gás renovável no gás fóssil comercializado. Os resultados preliminares, entretanto, indicaram uma insuficiência de ofertas para cumprir o mandato inicial de 1% para 2026 e 2027, o que levou a Petrobras a propor um regime transitório de um a três anos, com maior flexibilidade nas penalidades.
Uma das principais preocupações manifestadas pelos produtores é a precificação do biometano pela Petrobras. Há o receio de que a estatal balize os valores pelos preços do gás natural, desconsiderando o atributo ambiental e o custo de produção, que pode ser até 25% superior. A própria Petrobras reconhece a natureza pulverizada do mercado de biometano como um desafio. A demanda nacional pelo biocombustível é estimada pela estatal em até 4 milhões de m³/dia até 2030, com um potencial de longo prazo de 30 milhões de m³/dia, evidenciando o vasto espaço para crescimento. Iniciativas como as da Prefeitura de São Paulo, que implementa o uso de biometano em suas frotas de transporte público, reforçam a relevância do biocombustível na agenda de descarbonização urbana.
O Impacto para o Mercado de Combustíveis e Você, Dono de Posto:
Para você, proprietário ou gestor de postos de combustíveis, os desenvolvimentos no mercado de biometano trazem implicações importantes. A entrada e os investimentos da Petrobras podem impulsionar a disponibilidade deste biocombustível, que possui um papel estratégico na matriz energética e na descarbonização.
É fundamental que você, como revendedor, esteja atento à evolução desse cenário. A Lei do Combustível do Futuro e os mandatos para o uso de gás renovável sinalizam que o biometano, ou misturas que o contenham, poderá se tornar uma opção cada vez mais presente na bomba, especialmente para frotas e veículos a gás. As políticas de cidades como São Paulo são um indicativo de uma tendência que pode se expandir, influenciando a demanda por combustíveis mais limpos.
A precificação e a regulamentação do biometano são fatores-chave que determinarão a competitividade e a adoção desse biocombustível em seus postos. Se o custo-benefício se tornar atraente, você poderá ver a oportunidade de diversificar sua oferta, atender a uma demanda crescente por combustíveis sustentáveis e posicionar seu negócio de forma alinhada às tendências de transição energética.
Próximos Passos e Expectativas do Setor:
O futuro do mercado de biometano no Brasil depende agora das definições que virão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME). Essas instituições serão cruciais para aprimorar a regulamentação do mandato e estabelecer uma precificação justa que remunere adequadamente os produtores e incentive o investimento.
Apesar dos desafios iniciais de oferta e precificação, a presença da Petrobras é vista como um catalisador para o setor, prometendo acelerar a inovação e o crescimento. Para você, revendedor, é um período de atenção e acompanhamento. Manter-se informado sobre as decisões regulatórias e as tendências de mercado permitirá que você esteja preparado para as mudanças na demanda e nas opções de combustíveis que podem surgir, garantindo que seu posto continue a ser uma referência para seus clientes e competitivo no setor.