Petrobras avalia o potencial venezuelano para gás natural, mas mantém prudência frente à instabilidade geopolítica. Paralelamente, a estatal anuncia uma importante redução nos preços do gás no mercado brasileiro, impactando consumidores e o setor de combustíveis.
Em 27 de janeiro de 2026, no Rio de Janeiro, Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, confirmou que a Venezuela está sendo considerada como uma possível fonte de gás natural para a companhia brasileira. A declaração, feita durante um seminário, ressaltou a necessidade de uma análise aprofundada das condições políticas, regulatórias e econômicas do país vizinho, indicando que o cenário venezuelano precisa de maior estabilidade antes de qualquer investimento significativo.
A busca por diversificação de fontes de gás natural é um componente estratégico fundamental para a Petrobras, que já desenvolve projetos na Colômbia. A potencial expansão para a Venezuela surge em um momento em que a segurança energética e a ampliação do fornecimento de gás natural são prioridades para a estatal. No entanto, a diretora enfatizou a volatilidade do contexto geopolítico venezuelano. Os Estados Unidos, por exemplo, têm oscilado na flexibilização de sanções ao setor de energia do país, com a administração Trump, em determinado momento, revogando autorizações e impactando as exportações de petróleo venezuelano. Em dezembro do ano passado, as exportações de petróleo caíram para 500 mil barris por dia, comparados a 952 mil barris diários em novembro, apesar de uma média anual de 850 mil barris por dia em 2025.
Analistas do setor observam que a cautela da Petrobras é justificada pela instabilidade. Uma eventual recuperação da indústria petrolífera venezuelana, impulsionada por flexibilizações de sanções e planos de reconstrução, poderia gerar competição por investimentos com projetos brasileiros, como os da Margem Equatorial, no longo prazo. O capital de investimento das grandes petroleiras está globalmente mais disputado, especialmente no contexto da transição energética.
Impacto para o Mercado de Combustíveis e Revendedores
Enquanto a análise sobre a Venezuela se desenrola, a Petrobras anunciou uma redução de 7,8% nos preços do gás natural para distribuidoras no Brasil, com efeito a partir de 1º de fevereiro de 2026. Essa medida, que reflete as flutuações dos preços internacionais e a adoção de um novo indexador ligado aos preços do gás nos EUA, visa a oferecer maior previsibilidade e beneficia diretamente cerca de um milhão de clientes residenciais, comerciais, industriais e, crucialmente, o segmento de Gás Natural Veicular (GNV). Para os revendedores e donos de postos de combustíveis que operam com GNV, essa redução pode se traduzir em um maior potencial de competitividade e atratividade para os consumidores, influenciando o fluxo de clientes e a demanda por este tipo de combustível. Adicionalmente, a Petrobras mantém seus planos de perfurar 22 novos poços na Amazônia a partir de 2026, buscando sustentar sua produção e compensar o declínio de campos mais antigos, o que reforça a segurança do fornecimento doméstico.
Em síntese, a Petrobras adota uma postura de análise e monitoramento em relação à Venezuela, mantendo a porta aberta para futuras oportunidades de gás natural, mas sem planos imediatos devido ao cenário de instabilidade. Paralelamente, a redução nos preços do gás natural no Brasil representa um alívio imediato para os custos operacionais e para o consumidor, com um impacto positivo direto para os postos de combustíveis que oferecem GNV. O setor de combustíveis deverá continuar atento à evolução do quadro geopolítico venezuelano e às decisões políticas relacionadas às sanções, que serão determinantes para os desdobramentos futuros de oferta e demanda na região. Para você, proprietário de posto, manter-se informado sobre essas dinâmicas é fundamental para se posicionar estrategicamente no mercado.
