A Petrobras anunciou, com vigência a partir de 21 de outubro de 2025, uma redução de 4,9% no preço da gasolina para as distribuidoras, motivada pela queda das cotações internacionais do petróleo. Contudo, essa diminuição de R$ 0,14 por litro, embora positiva na origem, pode ter seu impacto minimizado ou até anulado para o consumidor final nos postos de combustíveis. Isso se deve ao aumento de R$ 0,10 por litro na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), programado para entrar em vigor em janeiro de 2026, introduzindo um cenário de incerteza para o mercado e para o planejamento financeiro de revendedores e motoristas.
A estatal informou nesta segunda-feira (20) que o valor médio do litro da gasolina A para as distribuidoras passará de R$ 2,85 para R$ 2,71. Este ajuste representa o segundo corte nos preços da gasolina realizado pela companhia em 2025, acumulando uma redução total de R$ 0,31 por litro no ano, o equivalente a 10,3%. A decisão da Petrobras reflete sua política comercial, que considera o equilíbrio entre os mercados interno e externo, a taxa de câmbio e as cotações internacionais do petróleo – um movimento que veio após a queda do petróleo tipo Brent, que atingiu mínimos em cinco meses, e foi amplamente aguardado pelo mercado. Analistas, contudo, consideraram o corte “conservador”, visto que os preços da Petrobras ainda se manterão acima da paridade de importação, mesmo com a diferença diminuindo.
Apesar do alívio proporcionado pela Petrobras nas refinarias, o impacto direto para o consumidor final e, consequentemente, para o seu posto, pode ser limitado. Essa complexidade surge, principalmente, do aumento previsto do ICMS sobre gasolina e etanol. Os governos estaduais, por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), definiram que a alíquota subirá R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57 a partir de 1º de janeiro de 2026.
Para você, revendedor ou proprietário de posto de combustível, entender essas dinâmicas é fundamental. A redução da Petrobras diminui seu custo de aquisição imediato. No entanto, o aumento do ICMS em 2026 pode não apenas anular grande parte dessa economia, mas também pressionar suas margens de revenda caso o mercado não consiga absorver o repasse completo. Além do ICMS, o preço final da gasolina ao consumidor inclui outros componentes como impostos federais, custos de transporte, a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro e as suas próprias margens de lucro de distribuição e revenda, que podem variar significativamente por região. Entidades como a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) já apontam que as margens de distribuição e revenda têm crescido, absorvendo parte das reduções de custo e limitando o repasse ao consumidor.
Analistas preveem que o repasse efetivo para o consumidor na bomba pode ser de apenas R$ 0,09 a R$ 0,10 por litro, ou até menos (R$ 0,03 a R$ 0,06 por litro), dependendo da região e da dinâmica do mercado. Este cenário de incerteza impacta diretamente o planejamento financeiro do seu posto, além de alterar a competitividade da gasolina frente ao etanol hidratado, pressionando as margens das usinas. Para as distribuidoras, o corte da Petrobras pode gerar perdas de estoque no quarto trimestre de 2025, embora seja um efeito considerado transitório.
É importante notar que o diesel não teve seu preço alterado pela Petrobras neste anúncio. O combustível mantém um patamar que, segundo a Abicom, em algumas refinarias está abaixo da paridade internacional, e já passou por três reduções desde março de 2023, acumulando uma queda real de 35,9% desde dezembro de 2022.
Este cenário complexo, que une uma redução de custos na origem com um aumento iminente de impostos, exige atenção constante. Para o seu posto, o planejamento financeiro e o monitoramento rigoroso das variações de custo e da política fiscal serão mais importantes do que nunca. Enquanto a política de preços da Petrobras seguirá sendo observada, especialmente em relação à paridade de importação e à volatilidade do petróleo internacional, o aumento dos impostos estaduais em 2026 será um fator crucial que tende a neutralizar ou até anular os benefícios de eventuais futuras reduções nos custos.
A expectativa é que a queda da gasolina pela Petrobras gere um leve impacto deflacionário de −0,1 ponto percentual no IPCA de 2025, o que poderia abrir margem para que o Banco Central continue seu ciclo de corte na taxa Selic. No entanto, você, como gestor, deve estar atento às próximas decisões governamentais e às reações do setor para ajustar suas estratégias de precificação e oferta, garantindo a sustentabilidade e a competitividade do seu negócio.
