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Marina Silva “coloca o dedo na ferida” da crise climática: o que isso significa para o mercado de combustíveis

  • 15/10/2025
  • 16:53
  • ClubPetro
  • Atualizado em: 15/10/2025
Marina Silva “coloca o dedo na ferida” da crise climática: o que isso significa para o mercado de combustíveis
Fonte: Pré-COP acontece a menos de um mês do início da COP30, que será realizada em Belém (PA). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante uma fala recente sobre a COP30, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a reforçar que o Brasil precisa “colocar o dedo na ferida” da crise climática, cobrando mais rapidez e rigor na transição energética.


Mas por trás desse discurso, surge uma preocupação crescente: as políticas ambientais vêm sendo desenhadas sem considerar o impacto direto sobre o setor que mais sustenta o transporte, o abastecimento e a economia real do país, o de combustíveis.

Nos últimos anos, a pauta ambiental ganhou força, e isso é inegavelmente positivo. O problema está em como essa agenda vem sendo conduzida. Ao priorizar metas internacionais e discursos simbólicos, o governo acaba penalizando o revendedor de combustíveis, que vive uma realidade muito distante das conferências e debates globais.

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Enquanto se fala em reduzir emissões e acelerar o uso de energias limpas, os postos enfrentam aumento de custos, novas exigências regulatórias e uma carga tributária sufocante, sem qualquer contrapartida proporcional.

O resultado é um cenário em que o setor, responsável por garantir o abastecimento e o transporte em todo o país, se vê pressionado por regras e custos que colocam em risco sua sustentabilidade financeira.

A retórica de urgência climática, se não for acompanhada de políticas equilibradas, pode marginalizar um setor essencial, que emprega milhões de brasileiros e garante o funcionamento logístico de praticamente toda a economia.

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O revendedor de combustíveis está no epicentro de uma transição energética que ainda carece de infraestrutura, incentivos e planejamento realista. Enquanto as grandes metas são anunciadas, quem sente o peso imediato das decisões é o empresário que mantém o posto aberto todos os dias, lidando com margens cada vez menores, fiscalizações crescentes e uma concorrência cada vez mais acirrada.

Se o governo realmente deseja avançar em sustentabilidade, precisa reconhecer o papel estratégico dos postos na cadeia energética e criar condições reais de adaptação e não apenas transferir responsabilidades.

A crítica de Marina Silva à “falta de vontade política” ignora um fato importante: o Brasil já é referência mundial em biocombustíveis, e são os postos de revenda que tornam isso possível no dia a dia.

Tratar o setor de combustíveis apenas como vilão é um erro estratégico que ameaça investimentos, encarece o abastecimento e prejudica a geração de empregos.

O país só alcançará uma transição energética equilibrada se valorizar os agentes que já contribuem para isso e o revendedor é um deles.

É hora de reforçar que o mercado de combustíveis não é inimigo da sustentabilidade, ele é parte indispensável da transição. O caminho precisa ser o diálogo e a busca por políticas ambientais que também valorizem quem mantém o país rodando.

Sem o revendedor, não há mobilidade, não há logística, e não há economia verde possível.

A “ferida” da crise climática apontada por Marina Silva é real, mas o tratamento proposto não pode matar o paciente.

O setor de combustíveis é parte da solução e precisa ser ouvido, respeitado e incluído nas decisões que definirão o futuro da energia no Brasil.

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