A Polícia Civil de São Paulo, em uma operação conjunta com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros órgãos de fiscalização, identificou na última sexta-feira, 17 de outubro de 2025, dois postos de combustível na região do ABC Paulista. Os estabelecimentos são suspeitos de fornecer etanol adulterado com metanol, uma substância altamente tóxica que estaria sendo desviada para uma fábrica clandestina. Nesta fábrica, o metanol era utilizado na falsificação de bebidas alcoólicas, causando mortes e graves intoxicações no estado e em outras regiões do país, com casos registrados desde o final de agosto do mesmo ano.
As investigações apontam que os postos, localizados em São Bernardo do Campo e Santo André – este último considerado o principal fornecedor –, abasteciam uma fábrica clandestina desmantelada uma semana antes, também em São Bernardo do Campo. O esquema criminoso era supostamente liderado por Vanessa Maria da Silva, presa em flagrante, e envolvia membros de sua família na produção, envase e distribuição das bebidas falsificadas.
A crise de saúde pública desencadeada por este esquema já resultou em pelo menos seis mortes confirmadas e 38 casos de intoxicação em São Paulo. Nacionalmente, o balanço até 20 de outubro de 2025 registrava nove óbitos e 46 intoxicações, com casos em estados como Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. As análises periciais revelaram concentrações alarmantes de metanol nas bebidas adulteradas, variando entre 35% e 45%. Este índice é drasticamente superior ao limite seguro de 0,1% em bebidas alcoólicas e até mesmo ao 0,5% tolerado pela ANP no etanol veicular, que já considera a substância tóxica e não um aditivo. Sobreviventes das intoxicações enfrentaram sequelas graves, incluindo cegueira e danos neurológicos permanentes.
Este caso é um desdobramento de operações anteriores, como “Boyle” e “Carbono Oculto“, que investigaram a adulteração de combustíveis com metanol e o possível envolvimento de organizações criminosas na lavagem de dinheiro. Paralelamente, a “Operação Alquimia“, que mobiliza a Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Agricultura e ANP, fiscaliza 24 empresas do setor sucroalcooleiro e distribuidores de metanol em cinco estados para rastrear a origem da substância. A linha de investigação da Polícia Civil sugere que o metanol industrial chegava aos postos por desvios de importadoras e usinas, alimentando o ciclo criminoso antes de ser distribuído para bares e adegas da capital e Grande São Paulo.
Para você, proprietário de posto de combustível, este caso serve como um alerta crucial. A identificação de postos em um esquema tão grave ressalta a importância da integridade na cadeia de suprimentos e da conformidade com as regulamentações. A imagem do setor de combustíveis, mesmo para os estabelecimentos que operam dentro da legalidade, pode ser impactada negativamente, gerando desconfiança por parte dos consumidores e levantando preocupações sobre a fiscalização da origem e qualidade dos produtos. Espera-se uma intensificação das ações de fiscalização por parte da ANP e outros órgãos reguladores, demandando ainda mais atenção e diligência por parte dos revendedores na escolha de seus fornecedores e na garantia da qualidade do combustível comercializado. A reputação do seu negócio e a segurança dos seus clientes são pilares que não podem ser comprometidos.
As autoridades seguem em diligências para desmantelar toda a cadeia de adulteração, com foco na identificação da origem do metanol e na responsabilização dos envolvidos. É provável que este cenário impulsione o fortalecimento da legislação e das ferramentas de rastreabilidade para álcoois e combustíveis. Para o setor de combustíveis, a expectativa é de um ambiente com maior rigor regulatório e a necessidade de que os revendedores reforcem suas práticas de governança e controle de qualidade para garantir a segurança do consumidor e a sustentabilidade de seus negócios.
