Desde o início de março de 2026, o preço médio do diesel no Brasil registrou um aumento expressivo de quase 20%, impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, que eleva as cotações internacionais do petróleo, e por reajustes internos realizados pela Petrobras. Apesar das medidas de contenção do Governo Federal, a alta se manifestou de forma generalizada pelo país, gerando preocupação econômica e riscos de paralisação no setor de transportes.
A principal força motriz por trás dessa escalada é o cenário geopolítico global. O recrudescimento do conflito no Oriente Médio, particularmente o fechamento parcial do Estreito de Ormuz – rota crucial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial –, fez o preço do barril de petróleo saltar de aproximadamente US$ 60 no início do ano para uma faixa entre US$ 100 e US$ 120. Essa valorização internacional impacta diretamente o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome.
Refletindo essa realidade, a Petrobras efetuou um reajuste de 11,6% no preço do diesel em suas refinarias, elevando o litro em R$ 0,38 e passando a custar R$ 3,65. Esta foi a primeira alteração da estatal desde maio de 2025, justificada pela alta do petróleo no mercado internacional após 312 dias de congelamento.
Levantamentos de entidades como o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) indicam que o diesel-S10 comum subiu 19,71% desde 1º de março, passando de R$ 5,43 para R$ 6,50. Outros estudos, como o do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe em parceria com a Fipe, registraram uma média nacional de R$ 7,17 por litro entre 14 e 15 de março, partindo de R$ 6,06 em 25 de fevereiro, enquanto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontou uma elevação superior a 11% em uma semana, chegando a R$ 6,80.
Em resposta à escalada e à ameaça de greve dos caminhoneiros, o Governo Federal implementou medidas para mitigar a alta. Isso incluiu a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel e a proposta de um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores, importadores e distribuidores. Além disso, foi solicitado aos estados que zerem o ICMS do diesel importado, com a União arcando com 50% das perdas fiscais. Contudo, a efetividade dessas ações é questionada, pois a desoneração tributária foi, em parte, absorvida pelos reajustes da Petrobras e pela volatilidade do mercado internacional, resultando na manutenção da alta nas bombas.
A elevação dos preços se manifestou de forma generalizada pelo país, com a região Centro-Oeste registrando o maior aumento, de 26,4%, seguida pelo Nordeste, com 21,44%. Estados como Tocantins observaram variações ainda mais expressivas, com o Diesel S10 avançando 34,1% no período. Essa conjuntura gera grande preocupação econômica, com projeções de economistas indicando que a alta do diesel pode adicionar até 0,11 ponto percentual à inflação em 2026. O setor de transporte rodoviário, pilar da logística brasileira, é particularmente afetado, com estimativas de que o custo do frete pode subir entre 3,5% e 4,8% para cada 10% de aumento no combustível, o que, inevitavelmente, se reflete no preço final de produtos e serviços para o consumidor.
Para você, revendedor, este cenário de elevação acentuada no preço do diesel representa desafios consideráveis. A volatilidade impacta diretamente suas margens de lucro e a gestão de estoque, exigindo estratégias de precificação ágeis e informadas para manter a competitividade sem comprometer a rentabilidade. Entender os movimentos do mercado, desde as cotações internacionais até as políticas tributárias e os reajustes da Petrobras, torna-se essencial para tomar decisões estratégicas no seu dia a dia, minimizando os impactos negativos e buscando formas de otimizar a operação do seu posto. A pressão sobre o custo do frete, por exemplo, pode afetar o fluxo de clientes do segmento transportador, um público relevante para muitos estabelecimentos.
Diante da dependência brasileira do diesel importado e da persistente instabilidade geopolítica global, a volatilidade dos preços do combustível tende a continuar. O governo federal e os estados enfrentam pressão para encontrar soluções mais eficazes e de longo prazo, enquanto as discussões sobre a política de preços da Petrobras e a busca por maior autossuficiência energética se intensificam. A insatisfação dos caminhoneiros, com a ameaça de novas paralisações, e o impacto direto na inflação nos próximos meses são desdobramentos esperados dessa conjuntura desafiadora para a economia e a sociedade brasileiras.
