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Furto de Combustíveis em Dutos Aumenta 36% no Brasil, Revertendo Anos de Queda

  • 14/01/2026
  • 15:00
  • ClubPetro
Indivíduos realizam furto de combustível em duto no Brasil durante a noite
Fonte: Cena ilustra a extração ilegal de combustível em duto, prática que voltou a crescer no Brasil.

O Brasil registra uma preocupante escalada no furto de combustíveis em seus dutos em 2025, revertendo uma tendência de seis anos de queda contínua. Dados recentes da Transpetro, subsidiária da Petrobras, indicam um aumento de 36% na média mensal de ocorrências até junho deste ano, impulsionado pela alta lucratividade do mercado ilegal. Este cenário acarreta enormes prejuízos financeiros para o setor de petróleo e gás, graves riscos ambientais e sérias ameaças à segurança das comunidades, impactando diretamente o mercado de combustíveis e a sociedade.

A Transpetro, maior operadora de dutos do país com uma extensa malha de 8.500 km, observou um salto preocupante nos registros. Nos primeiros seis meses de 2025, foram contabilizados 17 casos de furto ou tentativa de furto, elevando a média mensal para 2,83 ocorrências. Esse número representa um aumento de 36% em comparação com a média de 2,08 casos por mês registrada em 2024 (25 casos totais), marcando uma clara inflexão na trajetória de redução contínua observada desde o pico de 261 ocorrências em 2018.

Este recrudescimento da atividade criminosa, que envolve a perfuração clandestina de dutos para desviar petróleo e seus derivados, como gasolina e diesel, é atribuído à elevada rentabilidade do mercado ilegal. Especialistas indicam que o furto de combustível se tornou uma fonte de renda mais atraente para o crime organizado do que o tráfico de cocaína, gerando lucros estimados em até R$ 61 bilhões em um único ano para essas quadrilhas. Além das perdas diretas para a Petrobras e Transpetro, que já atingiram R$ 150 milhões anuais em períodos anteriores, o mercado de combustíveis ilegais – que inclui fraudes e sonegação – resulta em um prejuízo de até R$ 29 bilhões por ano em impostos e valores totais para o país.

As consequências desse tipo de crime transcendem o âmbito financeiro. Vazamentos decorrentes das perfurações clandestinas representam grave ameaça ao meio ambiente, podendo contaminar solo e recursos hídricos. A segurança da população também é seriamente comprometida, com o risco iminente de explosões e incêndios, como o trágico acidente de 2019 em Duque de Caxias (RJ), que resultou na morte de uma criança. A interrupção no fornecimento de combustíveis para serviços essenciais, como já ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos devido ao desvio de querosene de aviação, evidencia a capacidade dos criminosos de afetar a infraestrutura vital do país.

Para conter a intensificação desses ataques, a Transpetro investe cerca de R$ 100 milhões anualmente em tecnologia de ponta, com sistemas de monitoramento capazes de detectar e localizar rapidamente as derivações clandestinas. A empresa também reforça parcerias com órgãos de segurança pública, como a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), e mantém programas de relacionamento comunitário, incentivando denúncias através do número 168. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais permanecem como os mais críticos para a ocorrência desses crimes.

Para você, proprietário de posto de combustíveis ou revendedor, este cenário de furtos massivos tem um impacto direto e preocupante. O combustível desviado alimenta um mercado ilegal que cria uma concorrência desleal devastadora. Enquanto seu negócio arca com os custos de impostos, conformidade e operação legítima, o combustível furtado é comercializado a preços muito abaixo do mercado, atraindo consumidores desavisados e prejudicando a saúde financeira de quem atua dentro da lei. Instituições como o Instituto Combustível Legal (ICL) e o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) alertam constantemente sobre essa distorção, que não só reduz sua margem de lucro, mas também pode expor consumidores a produtos adulterados, manchando a reputação do setor como um todo. Em nível legislativo, a pressão por mudanças é crescente, com projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscando tipificar melhor o crime e aumentar as penas para os envolvidos, medida vista como fundamental para coibir a ação das quadrilhas.

Diante da resiliência e sofisticação do crime organizado neste segmento, a batalha contra o furto de combustíveis em dutos se mostra contínua e desafiadora. A expectativa é de uma intensificação nas operações conjuntas entre as forças de segurança e o Ministério Público, aliada à necessidade urgente de uma legislação mais rigorosa que realmente penalize os responsáveis. Para o mercado de combustíveis, e em especial para você, revendedor, é crucial manter-se informado e vigilante. As próximas decisões políticas e as reações do setor serão determinantes para conter essa escalada e proteger a integridade do seu negócio e do consumidor final.

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