As grandes modificações no refino, distribuição e revenda de combustíveis

distribuição e revenda de combustíveis

Há meses temos visto um grande debate sobre as modificações propostas pelo grupo de estudos CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Ministério da Economia, que basicamente sustentam o fim de restrições regulatórias no refino, distribuição e revenda de combustíveis no Brasil.

Este setor repetidamente vem sendo acusado de práticas de cartel, monopólio no refino e oligopólio na distribuição. Diversas e pesadas multas já foram aplicadas pelo CADE com assinaturas dos respectivos termos de cessação de conduta. Muito tem se discutido também sobre a edição de normas e portarias nos últimos anos que além de proteger mercados e segmentos, dificultam a defesa da concorrência.

E neste momento todo o segmento se vê diante de uma grande atualização que naturalmente gera polêmicas, defesas de posições e debates acalorados.

Os pontos fundamentais são:

  • Venda direta do etanol pelas usinas sem passar pelas distribuidoras.
  • A equipe econômica entende que é possível acabar com a proibição hoje imposta aos transportadores-revendedores (TRR) para comprar e comercializar gasolinas e etanol (hoje os TRR´s são autorizados a comercializar somente óleo diesel).
  • A análise faz parte dos estudos sendo tocados pela ANP, Ministério da Economia e Cade desde o ano passado, mas ganharam força com a resolução CNPE 12/19 do mercado de combustíveis.
  • A própria Refinaria de Petróleo (Refit) tem pronto para lançar um programa de delivery de combustíveis denominado GOFIT.
  • Implantação do Self service nos postos revendedores (onde o próprio cliente abastece seu veículo sem o auxílio de um frentista). Ainda proibido no Brasil, é considerado uma implantação necessária e imediata visando considerável redução nos custos dos produtos.
  • Autorização para que as distribuidoras possam operar seus postos próprios (postos de sua propriedade, terreno, construções e equipamentos).

Outro tema que tem merecido destaque é quanto à fidelidade às bandeiras dos postos, que hoje é regulada pela ANP. A equipe econômica concorda que não deve existir uma tutela regulatória desses contratos entre distribuidoras e varejistas e que a ANP não deve ser obrigada a fiscalizar esses acordos, firmados entre empresas privadas.

Tudo isto acontece num momento em que diversos revendedores no Brasil estão reclamando de viverem situações pré-falimentares nos negócios e, em paralelo, são publicados balanços com seus respectivos EBTIDAS, de 2018, onde as três maiores distribuidoras de combustiveis no Brasil, BR, Raizen e Ipiranga demonstram ganhos fabulosos antes dos impostos (IR e Cs), chegando a resultados de 90 a 100 R$/M3 de margem líquida.

Para ajudar neste processo de inovação, estão à venda 8 refinarias da Petrobras e na outra ponta algumas distribuidoras multinacionais estão se instalando com suas bandeiras no Brasil, a exemplo da Total , Vitol, Glencord, Petrochina e outras.

O mercado e os consumidores agradecem a modernização e a competição.

Wladimir Eustáquio é Diretor da Suporte Postos Consultoria e Assessoria Empresarial.
Contato: wladimir@suportepostos. com.br
*O texto é de responsabilidade do autor.

Compartilhe nosso artigo

Não perca mais nenhuma novidade!

Conteúdos para vender mais no seu Posto, direto no e-mail.